O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) votou a favor do fim da escala 6×1 nos dois turnos de votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, aprovada pelo Senado Federal na quarta-feira (14). A proposta recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno.
Flávio registrou o voto remotamente enquanto cumpria agenda de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O posicionamento ocorreu após o senador criticar a proposta, que classificou como “inoportuna e eleitoreira“.
Em outubro, no entanto, ele anunciou que votaria a favor da medida, alegando que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja o fim da escala 6×1. Durante entrevista à jornalista Renata Lo Prete, o senador justificou a decisão.
“Eu resolvi seguir a vontade da maioria dos brasileiros. Eu rodei o Brasil inteiro, eu ouvi muitos trabalhadores e eu votei conforme o que eu vi nas ruas. Como eu ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam favoráveis ao fim da escala 6×1, eu resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores”, afirmou.
Entretanto, a participação do candidato à presidência na discussão foi nula. Ele não registrou presença em nenhuma das cinco sessões de debate, que eram semipresenciais, permitindo a participação à distância, e só marcou presença no momento da votação, já na noite de quarta-feira.
Além disso, o senador defendeu que os trabalhadores tivessem liberdade para escolher a própria jornada de trabalho como alternativa ao fim da escala 6×1.
A proposta defendida por Flávio prevê o pagamento proporcional às horas trabalhadas, o que permitiria a redução da jornada acompanhada de uma diminuição proporcional do salário.

Senador Flávio Bolsonaro mudou de ideia e votou a favor da escala 6×1. Foto: Reprodução/ Agência Brasil/ Lula Marques
Entenda o fim da escala 6×1
O fim da escala 6×1 pode beneficiar não apenas trabalhadores que atuam seis dias por semana, mas também quem trabalha de segunda a sexta-feira. A proposta aprovada pelo Senado prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
A mudança não será imediata. Segundo o texto aprovado, a primeira etapa começará 60 dias após a promulgação da emenda, quando o limite semanal passará de 44 para 42 horas. A redução para 40 horas semanais ocorrerá na etapa seguinte, conforme o período de transição previsto na proposta.
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