O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não pretende permitir a retomada das plataformas de apostas on-line no Brasil.
Durante uma transmissão ao vivo na última quinta-feira (22), ao lado do deputado federal André Janones (Rede-MG) e da influenciadora Nath Finanças, o presidente defendeu a manutenção da proibição e criticou os impactos das apostas sobre as finanças das famílias.
Durante a conversa, o presidente agradeceu a Nath por chamar sua atenção para os problemas financeiros provocados pelas apostas. A influenciadora relatou que já havia abordado o assunto com Lula em outra ocasião e defendido medidas para proteger pessoas de baixa renda do endividamento.
“Temos que acabar com essa praga, porque se a gente não acabar com a bet, ela vai acabar com o povo brasileiro. E eu tô muito feliz de tomar essa decisão, muito feliz. Sabe, você falou para mim, tocou muito esse negócio da bet, e posso te dizer, Nath, não voltará mais a bet. Não, quem quiser ganhar dinheiro vai trabalhar, apostar no empobrecimento do já pobre e tentar explorar os pobres para ajudar time de futebol, não vai acontecer mais nesse país. Não vai. O que nós precisamos é investir na formação desse povo profissionalmente para que todo mundo possa ter emprego de qualidade e ganhar bem”, disse Lula.
Lula relata casos de endividamento
Lula também afirmou que decidiu agir após conversar com jovens que acumularam dívidas por causa das apostas. Segundo o presidente, os valores relatados variavam de R$ 4 mil a R$ 24 mil.
Além disso, ele mencionou casos de pessoas que teriam tentado tirar a própria vida em razão das perdas financeiras. Ao justificar sua posição, Lula argumentou que as plataformas podem agravar a situação econômica de famílias vulneráveis.
“Temos que acabar com essa praga, porque, se a gente não acabar, a bet vai acabar com o povo brasileiro”, afirmou.
MP das bets
Lula assinou a Medida Provisória em 25 de setembro. O texto determinou o fim das autorizações para empresas de apostas de quota fixa e estabeleceu prazos para a retirada de publicidade e patrocínios relacionados ao setor.
A decisão provocou reação de clubes e entidades ligadas ao futebol. Equipes das Séries A e B chegaram a recorrer ao Supremo Tribunal Federal para questionar os efeitos da medida e pedir um período de transição para os contratos já firmados.
O tema também ganhou espaço durante a retomada do Campeonato Brasileiro. Na 29ª rodada da competição, mensagens questionando a proibição das apostas foram exibidas em espaços publicitários de estádios, em uma ação organizada por entidades do setor.





