O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (27) que a Venezuela pode se transformar no 51º estado dos EUA. Durante discurso de campanha no porto de Corpus Christi, no Texas, o republicano sugeriu substituir a eleição presidencial venezuelana por um pleito para governador e celebrou acordos bilionários entre petrolíferas americanas e o país sul-americano.
“O país se tornará próspero e, quem sabe, talvez em breve se torne um próspero 51º estado. É possível. Vamos fazer isso acontecer”, disse Trump diante de apoiadores reunidos para apoiar candidatos republicanos às eleições legislativas marcadas para 3 de novembro.
Petróleo venezuelano e refinarias no Texas
Durante o evento, Trump discursou em frente a um navio petroleiro ancorado na costa que transportava cerca de 1 milhão de barris de petróleo bruto. Segundo o republicano, esse foi o primeiro carregamento oficial recebido após o acordo firmado em agosto, que prevê o refino de petróleo em instalações texanas.
Trump afirmou que o fornecimento ocorreu sem custos para os contribuintes americanos e que a medida já ajuda a baratear o preço da gasolina e do diesel no mercado interno.
No palanque, o presidente destacou os acordos comerciais com Caracas e mencionou diretamente o magnata do setor, Harold Hamm, conselheiro e doador de sua campanha:
“Quero agradecer à Venezuela, com quem nossa relação se tornou muito, muito boa, excelente. Bilhões e bilhões de dólares estão sendo investidos agora por parte das maiores companhias petrolíferas — muitas delas vindas do Texas. Harold Hamm está aqui. O grande magnata do petróleo. Agora vamos fazer isso, Harold, o 51º estado.”

Contexto político e histórico das declarações
A reaproximação diplomática entre Washington e Caracas ganhou força após a captura de Nicolás Maduro por forças militares dos EUA, ocorrida em janeiro deste ano. Desde então, a Casa Branca negocia diretamente com a líder interina venezuelana, Delcy Rodríguez, pressionando por reformas políticas enquanto avança na exploração conjunta das reservas de petróleo.
A retórica de Trump sobre o território vizinho vem se repetindo nos últimos meses:
- Abril: declarou em tom de brincadeira que aprenderia espanhol para disputar a presidência do país latino;
- Maio: afirmou em entrevista que avaliava a anexação territorial, ideia rejeitada publicamente por Delcy Rodríguez. Dias depois, publicou na rede social Truth Social um mapa sul-americano com a Venezuela preenchida pelas cores da bandeira americana;
- Agosto: anunciou um pacto bilateral que garantiu acesso e controle sobre mais de 65 bilhões de barris, volume equivalente a quase um quinto das reservas totais venezuelanas.
Territórios dos EUA: o modelo de Porto Rico
Caso qualquer integração formal avançasse, a Venezuela não ingressaria diretamente como estado pleno sem uma aprovação institucional complexa. Hoje, a administração norte-americana mantém sob sua jurisdição diversos territórios ultramarinos sem status de estado federado, como Porto Rico, Guam, Ilhas Virgens Americanas, Samoa Americana e Ilhas Marianas do Norte.
Porto Rico opera sob a condição de território não incorporado (Commonwealth): os porto-riquenhos possuem cidadania norte-americana desde 1917, mas não votam nas eleições presidenciais dos EUA e não contam com representantes com direito a voto no Congresso, elegendo somente o seu próprio governador local.
Essa relação com Washington reflete-se visualmente na própria bandeira de Porto Rico:
- O modelo histórico tradicional carrega o triângulo em tom de azul-celeste;
- A versão adaptada após a formalização do status territorial oficializou o azul-marinho e o vermelho com as mesmas tonalidades da bandeira dos Estados Unidos.





