A morte do atacante Jesús de Miguel, do Tenerife, após uma colisão com o goleiro Jesús Owono, do FC Andorra, durante uma partida da segunda divisão espanhola, levantou questionamentos sobre os riscos de impactos na região do tórax.
Uma das possíveis explicações para o caso é a commotio cordis, uma condição rara que pode provocar uma parada cardíaca mesmo em pessoas sem doenças cardiovasculares conhecidas.
O jogador, de 30 anos, sofreu o impacto durante o confronto disputado na segunda-feira (2). Na jogada, Owono saiu da área para tentar afastar uma bola longa, mas atingiu o peito do atacante com o joelho. De Miguel caiu desacordado e recebeu atendimento médico ainda no gramado.
Após as primeiras manobras de reanimação, o atleta foi levado de ambulância ao hospital, onde permaneceu internado. No entanto, ele não resistiu e morreu na manhã de terça-feira (3). O Tenerife confirmou o falecimento em comunicado oficial.
Até o momento, a causa médica específica da morte não foi divulgada. A parada cardiorrespiratória foi confirmada, mas a commotio cordis aparece como uma hipótese relacionada ao mecanismo do impacto, e não como um diagnóstico definitivo.
O que é commotio cordis?
A commotio cordis, também chamada de concussão cardíaca, acontece quando uma pancada atinge diretamente a região do coração em um momento extremamente específico do ciclo elétrico do órgão.
Esse impacto pode provocar uma alteração no funcionamento dos impulsos elétricos cardíacos e desencadear uma arritmia grave, conhecida como fibrilação ventricular.
“O commotio cordis, ou concussão cardíaca, é uma condição rara e potencialmente fatal, causada por um impacto no tórax que, em um momento específico do ciclo elétrico do coração, pode provocar uma arritmia grave e levar à parada cardíaca”, explica a médica cardiologista Fernanda Douradinho.
A condição pode atingir pessoas saudáveis?
Sim. Uma das características mais preocupantes da commotio cordis é que ela pode atingir pessoas sem histórico de doenças cardíacas ou alterações estruturais no coração.
“Pode ocorrer mesmo em pessoas jovens e saudáveis, sem doenças cardíacas prévias, especialmente durante atividades esportivas”, relata a cardiologista.
Diferentemente de uma parada provocada por problemas cardiovasculares preexistentes, nesse caso, o trauma externo pode desencadear diretamente uma alteração elétrica no órgão.
Entretanto, nem toda pancada no peito provoca esse tipo de reação. A intensidade, o local e, principalmente, o momento exato do impacto em relação ao ciclo cardíaco influenciam o risco.
Além da commotio cordis, colisões na região torácica podem provocar outras lesões, como danos ao músculo cardíaco, às válvulas e às estruturas que envolvem o órgão. Por isso, um impacto seguido de desmaio ou perda de consciência exige atendimento médico imediato.
“O socorro deve ser imediato, com acionamento da emergência, início das compressões torácicas e uso do desfibrilador (DEA) o mais rápido possível”, alerta a médica.
“Durante a parada cardíaca, o cérebro deixa de receber oxigênio adequadamente, podendo sofrer lesões neurológicas graves em poucos minutos. Quanto mais rápido o atendimento, maiores as chances de sobrevivência e menores os riscos de sequelas neurológicas”, completa a especialista.
Morte de Jesús de Miguel
O acidente aconteceu nos acréscimos da partida entre Tenerife e FC Andorra, pela segunda divisão do Campeonato Espanhol. Depois da colisão, jogadores das duas equipes pediram rapidamente a entrada dos profissionais de saúde. O atendimento durou mais de cinco minutos, e a partida acabou suspensa.
Jesús de Miguel foi encaminhado ao hospital, mas apresentou piora no quadro clínico e morreu nesta terça-feira (3). O atacante tinha 30 anos e defendia o Tenerife desde 2025.





