O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou Antônio Buscariollo e os três filhos, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Buscariollo, pela morte de quatro homens em Icaraíma, no Noroeste do Paraná. O crime ocorreu em agosto de 2025 e, segundo as investigações, teria sido motivado pela cobrança de uma dívida de R$ 255 mil relacionada à negociação de um terreno.
A denúncia atribui aos quatro suspeitos os crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa armada. A Promotoria de Justiça de Icaraíma apresentou a acusação na segunda-feira (2).
As vítimas são Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. Todos eram de São Paulo e viajaram ao Paraná para cobrar o valor que, conforme a investigação, a família Buscariollo devia.
MP aponta emboscada e tentativa de dificultar investigação
De acordo com a Polícia Civil do Paraná, os quatro homens foram atraídos para uma emboscada em uma propriedade rural ligada aos suspeitos. No local, os criminosos teriam surpreendido as vítimas com disparos de arma de fogo.
Depois dos assassinatos, os responsáveis teriam enterrado os corpos e os veículos a aproximadamente 14 quilômetros do local das mortes. Os investigadores encontraram as vítimas mais de um mês após o desaparecimento, em uma estrutura subterrânea conhecida como bunker.
Na denúncia, o Ministério Público também aponta uma tentativa de interferir nas apurações. Segundo o órgão, os denunciados teriam agido de forma coordenada para apagar informações e modificar sistemas de celulares apreendidos e analisados pela Polícia Civil.
Além disso, a Promotoria sustentou quatro qualificadoras para os homicídios: motivo torpe, meio cruel, uso de emboscada e emprego de armas de uso restrito.
O MPPR também pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 500 mil pelos danos morais e materiais causados aos familiares das vítimas.
Polícia aponta Carlos Henrique como mandante
Durante as investigações, a Polícia Civil apontou Carlos Henrique Buscariollo como possível mandante dos assassinatos. Segundo a apuração policial, ele administrava a dívida cobrada pelas vítimas e, depois, os familiares teriam dividido as tarefas relacionadas ao crime.
A polícia, entretanto, não descarta a participação de outras pessoas. As investigações também identificaram indícios de que os integrantes da família atuavam em outros crimes desde 2023.
Conforme o Ministério Público, as apurações apontaram possíveis fraudes patrimoniais imobiliárias, adulteração de sinais identificadores de veículos, ocultação de cadáveres e fraudes processuais, tanto materiais quanto digitais.
O órgão também informou que os investigadores encontraram veículos com placas adulteradas, movimentações financeiras clandestinas e estruturas subterrâneas de alvenaria em áreas rurais. Segundo o MPPR, esses esconderijos poderiam servir às atividades criminosas.
Relembre o caso:
- Pai e filho procurados pela Interpol são presos em sítio no interior de SP
- Pai e filhos suspeitos de matar quatro amigos seguem presos
Pai e filhos foram presos no interior de São Paulo
A prisão de parte da família ocorreu em agosto de 2026, após meses de buscas. Em 18 de agosto, a Polícia Civil encontrou Antônio e Paulo Ricardo em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, no interior de São Paulo. Os dois estavam na lista vermelha da Interpol e tentaram fugir por uma área de mata quando perceberam a chegada dos policiais.
Na mesma operação, os agentes prenderam Carlos Henrique em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Segundo a investigação, ele teria prestado apoio financeiro ao pai e ao irmão durante o período em que permaneceram foragidos.
Carlos Eduardo, o quarto filho, também era alvo da investigação, mas já estava preso em São Bernardo do Campo (SP), onde respondia por tráfico de drogas.
No dia seguinte às prisões, a Justiça manteve a detenção de Antônio, Paulo Ricardo e Carlos Henrique durante as audiências de custódia. A defesa dos suspeitos, representada pelo advogado Renan Farah, informou à época que pretendia contestar a prisão de Carlos Henrique.
Relembre o desaparecimento dos quatro amigos
Em 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego saíram de São José do Rio Preto (SP) em direção a Icaraíma, onde encontrariam Alencar para cobrar uma dívida de R$ 255 mil. O valor estava relacionado à negociação de um terreno com a família Buscariollo.
Os quatro foram vistos pela última vez no dia 5 de agosto. Inicialmente, a Polícia Civil tratou o caso como desaparecimento. Mais de um mês depois, as equipes localizaram os corpos enterrados em um bunker, em uma área rural.
A investigação passou a apontar que os homens foram vítimas de uma emboscada. Com o avanço das apurações, a polícia identificou suspeitos e iniciou uma série de buscas que culminaram nas prisões realizadas em agosto de 2026.
A denúncia do MPPR agora formaliza a acusação contra Antônio e os três filhos. O caso seguirá para análise da Justiça, que decidirá sobre o recebimento da denúncia e o andamento da ação penal.




