A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (18), Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo, pai e filho que estavam na lista vermelha da Interpol por suspeita de envolvimento no assassinato de quatro homens no Paraná, em agosto de 2025. Os dois foram encontrados escondidos em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP), após os investigadores identificarem vínculos da família com Santa Bárbara d’Oeste (SP).
Investigação levou policiais até o interior de SP
Segundo o delegado Leonardo Luiz Martinez, da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama (PR), a polícia passou a acompanhar os deslocamentos da família depois que identificou conexões com Santa Bárbara d’Oeste, cidade localizada a cerca de 39 quilômetros do sítio onde os suspeitos estavam.
Os investigadores descobriram que Antônio e Paulo Ricardo haviam passado pelo município enquanto permaneciam foragidos. Além disso, a polícia identificou que integrantes da família tinham vínculos anteriores com a cidade.
Em dezembro de 2025, as equipes chegaram a realizar uma operação em Santa Bárbara d’Oeste, mas não localizaram os dois. A partir das informações obtidas naquela ocasião, os policiais continuaram acompanhando os possíveis locais utilizados pela família.
Dupla tentou fugir pela área de mata
Com o avanço da investigação, a Polícia Civil passou a monitorar o sítio localizado em Rio das Pedras. Na terça-feira, os agentes encontraram Antônio e Paulo Ricardo na propriedade.
De acordo com a polícia, pai e filho perceberam a chegada das equipes e tentaram escapar. No entanto, os investigadores conseguiram alcançá-los em uma área de mata próxima ao imóvel.
A propriedade não pertence à família Buscariollo. A Polícia Civil pretende ouvir o proprietário do sítio para esclarecer em quais circunstâncias os dois permaneceram no local.

Outros dois filhos também foram alvo
Além de Antônio e Paulo Ricardo, a operação também alcançou outros dois filhos de Antônio.
Carlos Henrique Buscariollo acabou preso em Santa Bárbara d’Oeste. Segundo a investigação, ele teria ajudado financeiramente o pai e o irmão durante o período de fuga.
Já Carlos Eduardo Buscariollo também estava entre os alvos, mas permanece preso em São Bernardo do Campo (SP), onde responde por tráfico de drogas.
O advogado Renan Farah, que representa os três presos, afirmou que aguarda as audiências de custódia. Segundo a defesa, Carlos Henrique possui elementos que demonstrariam que ele não estava em Santa Bárbara d’Oeste durante o período dos assassinatos.
Quatro amigos foram mortos após cobrança de dívida
As investigações apontam que o crime ocorreu depois que quatro homens viajaram de São José do Rio Preto (SP) para Icaraíma (PR) para cobrar uma dívida de R$ 255 mil.
Alencar Gonçalves de Souza teria vendido um imóvel para a família Buscariollo, com pagamento dividido em dez parcelas de R$ 25 mil. Conforme a investigação, nenhuma das parcelas teria sido quitada.
Por isso, Alencar viajou acompanhado dos amigos Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso para cobrar o valor. Os quatro foram vistos pela última vez em 5 de agosto de 2025.
Inicialmente, a polícia tratou o caso como desaparecimento. Entretanto, mais de um mês depois, investigadores encontraram os corpos enterrados em um bunker, estrutura subterrânea localizada a aproximadamente quatro quilômetros da propriedade rural onde, segundo a investigação, ocorreram as mortes.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que os quatro tenham sido atraídos para uma emboscada quando retornaram ao imóvel dos suspeitos.
Polícia investiga possível participação de outras pessoas
A Polícia Civil do Paraná acredita que outras pessoas possam ter participado dos assassinatos. Até o momento, porém, os investigadores não divulgaram os nomes dos possíveis envolvidos.
Em dezembro de 2025, dois policiais civis também foram alvo de mandados de busca e apreensão por suspeita de terem auxiliado a fuga dos Buscariollo. Segundo a polícia, o procedimento administrativo que apura a conduta dos agentes ainda está em andamento.
Após a prisão, Antônio e Paulo Ricardo foram encaminhados para Umuarama (PR), onde permanecem à disposição da Justiça.