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Pesquisa mostra que maioria desaprova tarifa de Trump ao Brasil e teme impactos diretos na vida

A nova pesquisa Genial/Quaest revela que 72% dos brasileiros consideram “errada” a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump exibindo a tabela do "tarifaço", China reage: Reprodução / Youtube/White House

A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (16) revela que 72% dos brasileiros consideram “errada” a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifa de 50% a produtos exportados pelo Brasil. A medida, segundo o mandatário norte-americano, seria uma resposta à suposta “perseguição política” ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por parte do Judiciário brasileiro. Ainda segundo o levantamento, 79% dos entrevistados acreditam que o tarifaço “vai prejudicar a vida” dos brasileiros.

A sondagem ouviu 2.004 pessoas, com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 14 de julho, e tem margem de erro de dois pontos percentuais. A tarifa deve começar a valer em 1º de agosto.

Recorte por posicionamento político de entrevistados (Reprodução/Genial/Quaest)

Direita dividida, centro desalinhado

Ao serem questionados sobre a legitimidade do argumento de Trump — de que há uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro — apenas 19% concordaram com o republicano. Outros 9% não souberam ou preferiram não responder.

A desaprovação ao posicionamento de Trump é majoritária inclusive entre os eleitores bolsonaristas (48% o consideram errado, ante 42% que o apoiam), e chega a 77% entre os que se dizem sem posicionamento político. Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, “o tarifaço contra o Brasil conseguiu unir a esquerda, os lulistas e os moderados, mas dividiu a direita e os bolsonaristas”.

A percepção de que a taxação afeta diretamente a vida cotidiana atinge amplo consenso, independentemente de posicionamento ideológico: 79% dos entrevistados afirmaram que a medida vai gerar prejuízos. Apenas 17% discordam.

Lula e STF são alvos de justificativas para tarifa

Sobre as razões que motivaram Trump a elevar a taxação, as opiniões se dividem: 26% apontam as críticas feitas por Lula ao republicano durante a cúpula do Brics; 22% citam ações do Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro; e 17% mencionam a atuação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA. Outras hipóteses incluem medidas do STF contra big techs americanas (10%) e 25% dos entrevistados que não souberam opinar.

Questionados sobre a possibilidade de Lula ter provocado Trump, 55% disseram que sim. Já 31% consideraram que não houve provocação, enquanto 14% não souberam ou não responderam.

A avaliação sobre os comentários de Trump em relação ao processo penal que envolve Bolsonaro também foi medida. Para 57% dos brasileiros, o presidente norte-americano “não tem direito” de criticar o Judiciário brasileiro. Outros 36% consideram que ele pode opinar. Além disso, 63% avaliam como incorreta a alegação de que a relação comercial entre Brasil e EUA é injusta.

Disputa eleitoral segue polarizada

Mesmo com a tensão diplomática, o impacto eleitoral da medida ainda parece incerto. Apenas 19% disseram “querer votar mais em Lula” em função do episódio, enquanto os mesmos 19% afirmaram que “querem votar mais em Bolsonaro ou em candidato apoiado por ele”. A maioria (53%) considera que o anúncio da tarifa não deve influenciar a decisão de voto nas eleições de 2026.

Por fim, 59% acreditam que Trump manterá a decisão, enquanto 31% esperam que o republicano recue. Sobre a resposta do governo brasileiro, 53% dos entrevistados acham “certo” reagir com reciprocidade, e 39% consideram a reação “errada”.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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