O comerciante Marcos Antônio Forneiro, conhecido como Marcão, foi condenado a 14 anos, quatro meses e 24 dias de prisão por matar um cliente após uma discussão por causa de um pastel em Praia Grande, na Baixada Santista. O crime aconteceu em julho de 2022, dentro da adega do comerciante, no bairro Jardim Imperador.
Durante o desentendimento, Leonardo Ricardo Ventura, de 30 anos, foi baleado na perna direita e socorrido ao Hospital Irmã Dulce, onde passou por cirurgia. Três dias depois, a vítima não resistiu aos ferimentos e morreu, segundo informações registradas no boletim de ocorrência (BO).
No julgamento, realizado na última quinta-feira (17), o Tribunal do Júri considerou Marcão culpado por homicídio qualificado por motivo fútil. A sessão durou mais de dez horas e contou com a participação de testemunhas que narraram detalhes da discussão que culminou na tragédia.
Defesa pede desclassificação de homicídio qualificado
Por meio de nota ao VTV News, o advogado Paulo de Jesus afirmou que ingressou, nesta segunda-feira (21), com um recurso para reverter a condenação de Marcão. A defesa pede a reclassificação do homicídio qualificado para o crime de lesão corporal seguida de morte, alegando que não houve intenção de matar a vítima durante o desentendimento.
Segundo o advogado, a decisão do júri foi “manifestamente contrária às provas dos autos” – o que justificaria a apelação. A defesa informou ainda que aguarda ser intimada para apresentar as razões completas do recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Entenda o conflito
O conflito começou quando o proprietário da adega colocou a mão no pastel adquirido por Leonardo, que se irritou e iniciou uma discussão. Após deixar o local por alguns minutos, Marcão retornou dentro com um revólver e teria dito: “não era o machão?”. Em seguida, disparou. O tiro atingiu a vítima na coxa, próximo à artéria femoral, causando grave hemorragia.
Após o crime, o comerciante fugiu do local em um carro, mas a placa foi identificada pelo sistema de câmeras da Guarda Civil Municipal (GCM). A Polícia Militar (PM) o localizou horas depois no prédio onde morava. Ele foi preso em flagrante e alegou ter jogado a arma fora na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55), mas o revólver não foi encontrado.