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Como funciona o Mapa da Fome e por que o Brasil saiu dele?

O Brasil deixou, neste ano, o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Brasil sai do Mapa da Fome (Foto: Unsplash)

O Brasil deixou, neste ano, o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), após registrar uma taxa de subnutrição inferior a 2,5% no período de 2022 a 2024. O índice marca a saída do país de uma lista que reúne nações com alto risco alimentar e representa um recuo expressivo em relação ao cenário anterior, quando o percentual havia ultrapassado a marca-limite. A última vez que o Brasil havia deixado o Mapa foi em 2014.

O indicador, chamado de Prevalência de Subnutrição (PoU, na sigla em inglês), considera a proporção da população que não tem acesso regular a calorias suficientes para manter uma vida saudável. O cálculo é feito com base na média trienal de dados e leva em conta a disponibilidade total de alimentos no país, o padrão de consumo da população e a desigualdade no acesso — esta última condicionada majoritariamente pela renda.

Média trienal abaixo da linha de corte

  • No triênio 2019-2021, o Brasil voltou à lista após registrar uma média de 3,4% da população em situação de subnutrição, número que saltou para 4,2% até o ano de 2022.

  • A partir de 2023, a taxa começou a cair — chegando a 3,9% — e, agora, recuou para menos de 2,5%, conforme apontado no relatório da FAO, o que retira oficialmente o país do Mapa da Fome.

Embora o dado represente avanço, ainda há pontos de atenção: 3,4% da população brasileira vive em situação de insegurança alimentar grave — ou seja, sob constante incerteza de acesso a três refeições diárias. Já a insegurança alimentar moderada atinge 13,5% dos brasileiros.

Mapa da fome, disponível em: https://ifz.org.br/mapa-da-fome/

Decisões políticas e impacto social

De acordo com nota oficial do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a melhoria nos índices reflete “decisões políticas do governo brasileiro que priorizaram a redução da pobreza, o estímulo à geração de emprego e renda, o apoio à agricultura familiar, o fortalecimento da alimentação escolar e o acesso à alimentação saudável”.

A saída do Brasil do Mapa da Fome foi uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que celebrou o resultado. Desde 2022, programas sociais voltados à proteção da renda e segurança alimentar foram ampliados. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que cerca de seis milhões de brasileiros deixaram a pobreza extrema no período de dois anos.

O Mapa da Fome é publicado anualmente pela FAO com base em médias móveis de três anos, de modo a evitar distorções causadas por eventos pontuais como crises econômicas ou climáticas. Para cada país, são cruzadas três variáveis: a quantidade total de alimentos disponível (produção interna, importações e exportações), o consumo alimentar por faixa de renda e o nível de desigualdade na distribuição desses recursos.

Há 20 anos, a taxa de subnutrição no Brasil era de 5,7%. Com a queda para menos de 2,5%, o país agora se posiciona melhor que a média latino-americana (5,1%) e global (8,2%). A classificação, no entanto, poderá ser revisada a cada nova edição do relatório, conforme a atualização de dados.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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