Entrou em vigor nesta quarta-feira (6), à 01h01 no horário de Brasília, o tarifaço decretado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estabelece uma sobretaxa de 50% sobre a importação de diversos produtos brasileiros. A medida impacta diretamente as exportações de 906 municípios, entre eles Atibaia e Bragança Paulista, importantes polos exportadores do estado de São Paulo.
Segundo levantamento do Estadão com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Atibaia exporta, principalmente, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, bem como equipamentos de gravação e reprodução de áudio e vídeo — setor que agora será atingido pela tarifa. O impacto financeiro estimado para o município é de aproximadamente US$ 3,84 milhões.
Bragança Paulista, por sua vez, figura entre os municípios mais afetados da região. Além dos mesmos equipamentos eletrônicos, a cidade exporta produtos químicos orgânicos, açúcares e confeitos, borracha, plásticos, veículos automotores, instrumentos médicos e ópticos — todos incluídos na nova alíquota tarifária. A estimativa do impacto chega a US$ 20 milhões.

Exportações em xeque
A medida anunciada pela Casa Branca adiciona 40% à tarifa de 10% já imposta anteriormente sobre o Brasil, somando os 50% que agora entram em vigor. Ficaram de fora da sobretaxa produtos como aeronaves da Embraer, suco de laranja, petróleo e celulose. No entanto, carne, café, pescados e máquinas — principais itens da pauta exportadora brasileira — não escaparam da medida.
A sobretaxa atinge prioritariamente os estados do Sudeste e Sul, regiões com maior volume de exportação para os EUA. Entre os setores mais penalizados estão a indústria da carne em São Paulo e Mato Grosso do Sul, o café de Minas Gerais, e armamentos fabricados no Rio Grande do Sul.
Impacto nacional e as tarifas de Trump
Cidades como Piracicaba (SP), Matão (SP), Guaxupé (MG), Jaraguá do Sul (SC), Campo Grande (MS), Ribeirão Pires (SP) e São Leopoldo (RS) também aparecem no levantamento como centros exportadores severamente afetados. Em comum, todas concentram parte considerável de sua produção nos segmentos atingidos pela tarifa de Trump.
O estudo leva em conta os 30 produtos mais exportados para os Estados Unidos em 2024. A depender da especificação de cada item, alguns podem escapar da incidência tarifária, mas a projeção geral aponta para efeitos substanciais nas cadeias produtivas e comerciais desses municípios.
A medida não inclui os produtos enquadrados na chamada Seção 232 — aço, alumínio e madeira — que já são tarifados igualmente para todos os países. Até o momento, não houve anúncio oficial de contramedidas por parte do governo brasileiro.