A Justiça negou o pedido do bancário Thiago Arruda, de 32 anos, para participar de dois eventos familiares. Ele responde em liberdade desde maio, acusado de atropelar e matar o cantor Adalto Mello em dezembro de 2024, enquanto dirigia embriagado. Apesar do caráter familiar dos encontros, o juiz apontou risco de acesso a bebidas alcoólicas.
Thiago teve habeas corpus concedido em 14 de maio de 2025, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que substituiu prisão preventiva por medidas cautelares. Entre restrições impostas estão o recolhimento domiciliar noturno, aos fins de semana, feriados e durante as férias. A defesa solicitava exceções para eventos em agosto e outubro.
Contudo, o juiz Alexandre Torres de Aguiar, da 1ª Vara Criminal de São Vicente, indeferiu o pedido. Segundo ele, a gravidade da acusação – homicídio com dolo eventual – e o contexto do crime tornam a flexibilização inadequada. A chance de consumo de álcool, comum em festas, foi considerada um risco relevante pelo magistrado.
Defesa alega cumprimento das regras, mas pedido foi negado
A defesa de Thiago Arruda solicitou autorização para dois eventos: uma comemoração do Dia dos Pais na escola das filhas, em 9 de agosto, e o aniversário da afilhada, marcado para outubro. Segundo o advogado Mário Badures, o pedido foi feito em tempo hábil, mas a decisão da Justiça saiu apenas três dias após o primeiro evento.
Apesar de discordar do fundamento usado pelo juiz, a defesa afirmou que respeita a decisão judicial e garantiu que todas as medidas impostas estão sendo cumpridas rigorosamente. “Malgrado discordarmos, respeitosamente, dessa fundamentação, fato é que tanto Thiago quanto a defesa respeitam todas as decisões do Poder Judiciário”, disse o advogado ao VTV News.

Laudo aponta excesso de velocidade no momento do atropelamento
Um laudo técnico do Instituto de Criminalística (IC) apontou que Thiago dirigia em velocidade incompatível com o limite da via no momento do acidente. O documento foi elaborado com base em elementos encontrados no local, como a presença de uma lombada e os danos nos veículos envolvidos.
Embora o laudo não tenha sido conclusivo quanto à velocidade exata, os peritos consideraram que havia evidências suficientes para afirmar que o carro trafegava acima dos 50 km/h permitidos. A análise considerou ainda a distância entre os vestígios e a dinâmica do impacto.
O cantor, de 39 anos, estava em uma motocicleta quando foi atingido pelo veículo de Thiago Arruda. Ele foi arremessado com o impacto e morreu ainda no local, apesar das tentativas de reanimação realizadas por equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros.
Teste do bafômetro mostrou embriaguez muito acima do permitido
Thiago havia ingerido uma quantidade de álcool muito superior ao permitido por lei. O teste do bafômetro indicou 0,82 mg/L, o que corresponde a 20,5 vezes o limite de 0,04 mg/L previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Segundo o CTB, índices acima de 0,34 mg/L já configuram crime, com pena de seis meses a três anos de prisão, além de multa e suspensão ou cassação da CNH. A quantidade de álcool encontrada no organismo de Thiago configura embriaguez evidente, reforçando a acusação de homicídio com dolo eventual.
Vídeos mostram momento do acidente em São Vicente
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela Reportagem registraram o momento do atropelamento. Elas mostram Thiago ultrapassando outro veículo antes de atingir Adalto Mello, que seguia de moto na Avenida Tupiniquins, no bairro Japuí. O impacto foi tão forte que o corpo do cantor foi arremessado, e o carro acabou batendo em uma árvore (veja na reportagem acima).
Na ocasião, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que policiais militares foram acionados para atender à ocorrência. O veículo foi encontrado danificado e a motocicleta caída, com a vítima já em estado grave.
Quem era o cantor de pagode Adalto Mello?
Cantor e compositor de pagode, Adalto se apaixonou pela música ainda na infância. De acordo com a família, ele aprendeu a tocar cavaco observando seu pai e, desde jovem, se dedicou à carreira musical, se apresentando em eventos e comércios. Também se formou em Educação Física e trabalhou em várias empresas.
Apesar disso, nunca abandonou o seu amor pela música, sempre conciliando o trabalho com ensaios e apresentações à noite. Para ele, a música era um sonho a ser vivido e não apenas uma fonte de dinheiro. A mãe do artista, Carla, destaca que o filho era apegado à família e sempre procurava transmitir amor e bondade para todos ao seu redor.