A coalizão peronista Força Pátria venceu, com 13 pontos de vantagem, as eleições legislativas na província de Buenos Aires, maior colégio eleitoral da Argentina. A derrota do presidente Javier Milei, que se envolveu diretamente na campanha contra o peronismo, marca um revés contundente de seu governo desde a posse.
Dos oito distritos eleitorais da província, a legenda governista perdeu em seis — o que, segundo analistas políticos locais, ampliou a crise política e evidenciou a dificuldade de articulação com o Congresso, a pressão dos mercados e os escândalos de corrupção que fragilizam o Executivo.
A vitória na província de Buenos Aires reforçou a presença de Axel Kicillof, governador do distrito, como principal nome da oposição para as eleições legislativas nacionais, previstas para 22 de outubro.
En la Provincia hoy no se dio el resultado esperado, pero la búsqueda de cambio es una pelea que vamos a seguir dando, recorriendo y escuchando a los vecinos. Aprendí mucho en esta campaña y el camino continua. Gracias pte @JMilei, gracias a quienes nos eligieron y especialmente…
— Diego Valenzuela (@dievalen) September 8, 2025
Milei investiu pessoalmente no embate, apresentando o pleito como um “tudo ou nada” contra os adversários políticos. A resposta das urnas, no entanto, contrariou as expectativas do presidente e aprofundou o que a imprensa local chamou de “uma crise de governabilidade”. Ao lado da irmã Karina e do ministro da Economia, Luis Caputo — considerados o “triângulo de ferro” do governo — Milei admitiu a derrota: “Foi uma clara derrota política”, declarou.
Apesar do resultado adverso, o presidente insistiu na continuidade do projeto econômico: “Não estamos dispostos a abrir mão de um modelo que pegou uma inflação de 300% e reduziu-a a 20%. A linha de ação não só está confirmada, como vamos acelerá-la e aprofundá-la ainda mais.”

Reação imediata e riscos à governabilidade
Nas últimas semanas, o governo enfrentou derrotas parlamentares consecutivas, tensão no câmbio e o vazamento de áudios que associam Karina Milei a um suposto esquema de subornos na Agência Nacional para a Deficiência, relacionados à compra de medicamentos.
Para analistas locais, a perda nas urnas enfraquece ainda mais o Executivo. “Foi uma série de graves erros que deixaram o governo numa posição ainda mais frágil, justamente quando precisava desesperadamente ser ratificado e fortalecido pelo voto popular”, avaliou o colunista Claudio Jacquelin, do La Nación.