A Justiça de Campinas (SP) condenou Ricardo Xavier de Souza a 47 anos, 4 meses e 26 dias de prisão em regime fechado pelo assassinato da esposa, Larissa da Silva Bezerra Xavier, de 19 anos. O crime ocorreu em outubro de 2024, dentro da casa onde o casal morava com a filha pequena.
A sentença, proferida nesta quarta-feira (24), e confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, é de primeira instância e ainda cabe recurso. O processo corre sob segredo de Justiça.
O réu, que na época do crime tinha 35 anos, foi responsabilizado por feminicídio qualificado. A pena teve agravantes por ter sido cometida na presença da filha da vítima, com uso de meio cruel e com a intenção de impedir a defesa da jovem. A Justiça também apontou como circunstância desfavorável o impacto psicológico duradouro na criança, que ficou privada do convívio materno (relembre o caso).

Tentativa frustrada de ocultação
Segundo a investigação, após desferir uma facada no pescoço da esposa, Ricardo tentou ocultar o corpo no quintal da residência. Ele chegou a se deslocar com a filha até Paulínia (SP) para tentar alugar uma perfuradora de concreto, mas, sem sucesso, retornou ao imóvel e tentou cavar com ferramentas improvisadas. Em seguida, deixou a criança com a própria mãe e se apresentou à polícia.
O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio consumado. Na delegacia, o acusado alegou que o homicídio ocorreu após uma “discussão banal”, motivada por ciúmes. Segundo ele, a briga teria começado após ver mensagens no celular da vítima. Em sua versão, Larissa teria se armado com uma faca, mas foi imobilizada com um “mata-leão” antes de ser desarmada. Mesmo já desacordada, Ricardo a arrastou até outro cômodo da casa e, ali, a golpeou no pescoço.
Condenação com base em provas materiais e confissão
A confissão do réu foi confirmada pela perícia e pela sequência dos fatos apurados. O juiz responsável pela sentença destacou a brutalidade do crime, a frieza com que foi executado e a tentativa de apagar os vestígios, o que denotaria dolo evidente e premeditação implícita.
O caso permanece em tramitação sob segredo de Justiça. A defesa de Ricardo Xavier de Souza ainda pode recorrer da decisão.