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Vai beber no fim de semana? Especialistas explicam se dá para identificar bebida adulterada com metanol

Cinco mortes já estão associadas ao consumo; especialista alerta para sintomas específicos e riscos à visão.
Vai beber no fim de semana? Como identificar o metanol

Identificar bebidas adulteradas com metanol pelo sabor ou pelo aspecto visual é impossível. Por isso, especialistas ouvidos pelo VTVNews alertam para a de necessidade tomar cuidado ao ingerir bebidas alcoólicas e estar atento aos sintomas e sequelas. Segundo eles, a identificação da substância é complexa.

A toxicologista Camile Carbone Prado, médica assistente do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), vinculado ao Ministério da Saúde e associado a Unicamp, explicou durante uma coletiva de imprensa que mesmo pequenas quantidades de metanol são capazes de causar efeitos severos no organismo. O Ciatox oferece orientação e suporte aos pacientes em casos de intoxicação.

“Podem alterar os sintomas dependendo da presença de etanol combinado ou da proporção da mistura”, explicou. 

Camile Carbone Prado (centro) durante a coletiva no Ciatox (Foto: Reprodução)

Segundo ela, a administração médica precoce é decisiva: “Quanto antes o tratamento for iniciado, melhor — especialmente antes que o etanol se transforme em ácido fórmico.”

Segundo o Dr. Luiz Finotti, médico psiquiatra e docente em medicina da UniMAX ,”os sintomas aparecem geralmente entre 6 e 12 horas após o consumo, podendo demorar mais se houver também ingestão de etanol.

Segundo o especialista, os principais sinais são:

  • Dor de cabeça forte;
  • Náuseas;
  • Vômitos
  • Dor abdominal;
  • Tontura;
  • E principalmente, alterações visuais — visão borrada, pontos pretos, fotofobia.

“Em casos graves, podem surgir convulsões e coma, com respiração forte”, explicou.

Identificação só é possível em laboratório

Ainda segundo especialistas, o metanol não pode ser identificado visualmente ou pelo sabor. A única forma de constatar a adulteração é por análise laboratorial, o que dificulta a prevenção em ambientes informais de venda e consumo.

Finotti explicou que o álcool comum (etanol), provoca sonolência, fala arrastada, baixa coordenação e, por fim, a ressaca. Já o metanol é responsável por uma série de sintomas mais graves: “dor de cabeça intensa, náuseas, dor abdominal, alterações visuais como visão embaçada ou “neblina” e respiração acelerada. Esses sinais não fazem parte de uma embriaguez comum e devem acender o alerta.”

Para reduzir os riscos, a orientação é:

  • Consumir bebidas alcoólicas com moderação
  • Comprar produtos de fornecedores confiáveis
  • Evitar locais sem garantia de procedência
  • Observar sintomas e procurar atendimento médico rapidamente

No caso específico do metanol, os efeitos tendem a surgir de seis horas a dois dias após o consumo, com maior impacto na visão. Nessa fase, o atendimento médico deve ser buscado imediatamente para evitar agravamentos.

Possíveis sequelas

Segundo Camile Carbone, do Ciatox, “alguns pacientes conseguem recuperar total ou parcialmente a visão, mas também há casos com sequelas permanentes“.

Já Finotti reforçou que, além do imediato risco de morte por acidose metabólica ou insuficiência respiratória, as sequelas mais comuns são visuais.

“As sequelas mais comuns são visuais — que vão de redução da acuidade até cegueira permanente — e neurológicas, como distúrbios motores, alterações cognitivas e quadros semelhantes ao parkinsonismo. Esses efeitos podem surgir mesmo após o tratamento”, explicou o especialista.

Investigação em São Paulo

Segundo o governador Tarcísio de Freitas, o Estado investiga 22 casos de intoxicação possivelmente causados por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol.

De acordo com o governo, 17 das ocorrências seguem em apuração, enquanto as autoridades reforçam a necessidade de cautela diante do avanço dos registros. A principal suspeita recai sobre o uso do metanol, substância tóxica usada na adulteração de bebidas ilegais ou de procedência duvidosa.

Pronunciamento do ministro da saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou nesta quinta-feira (2) que o Brasil contabiliza 12 casos confirmados de intoxicação por metanol.

O número inclui 11 confirmações laboratoriais e o caso do rapper Hungria, que, embora ainda não registrado oficialmente pelo Cievs de Brasília, já teve a presença da substância detectada pela equipe do Ministério da Saúde que acompanha sua internação.

Segundo Padilha, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde notificou até o momento 59 ocorrências entre suspeitas e confirmações. “Embora não esteja como confirmado aqui nos dados, já podemos afirmar pela nossa equipe que acompanha a internação. Logo, são 12 confirmados”, afirmou o ministro.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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