A Justiça decidiu antecipar a audiência do bancário Thiago Arruda Campos Rosa, acusado de atropelar e matar o cantor de pagode Adalto Mello enquanto dirigia embriagado em São Vicente, na Baixada Santista. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a nova data foi marcada para 12 de agosto. A princípio, a sessão ocorreria apenas em abril de 2026.
Adalto Mello pilotava uma motocicleta pela Avenida Tupiniquins, no bairro Japuí, quando foi atingido pelo carro dirigido por Thiago Arruda em 29 de dezembro. O teste do bafômetro indicou 20,5 vezes acima do limite permitido. O bancário foi preso em flagrante, mas atualmente responde em liberdade após decisão do Superior Tribunal Federal (STF).
A antecipação foi motivada pela necessidade de redesignação das sessões do Tribunal do Júri, que passa por obras de reparo no plenário. Conforme o despacho judicial, a vaga no calendário surgiu “em razão de força maior”, permitindo que a audiência fosse adiantada. O TJ também informou que nenhuma das partes havia formalizado pedido para mudança de data.
O que dizem os advogados?
Conforme noticiado pelo VTV News, a audiência de instrução do caso Adalto Mello estava inicialmente marcada para 28 de abril de 2026. O Tribunal de Justiça justificou o longo intervalo com base na pauta sobrecarregada de processos de réus soltos, explicando que, se o acusado estivesse preso, o julgamento teria prioridade.
O adiamento, porém, desagradou as partes. À Reportagem, a defesa considerou o prazo prejudicial e pediu mais celeridade – classificando a decisão como um ‘martírio’ -, enquanto a assistente de acusação destacou a expectativa da família e da sociedade por uma resposta rápida, apesar de entender a demora pelo fato de o réu responder em liberdade.
Com o adiantamento, a defesa do réu, representada pelo advogado Mário Badures destacou que não se opõe à antecipação. “É de total interesse de Thiago que a acusação de homicídio doloso com inexistente dolo eventual seja esclarecida o quanto antes”, declarou o defensor.
Já Sabrina Campos, assistente de acusação, comemorou a medida. Para ela, a antecipação representa “um importante avanço no cumprimento do princípio constitucional da razoável duração do processo”. A advogada destacou que a família de Adalto segue confiante na busca por justiça e espera que o julgamento ocorra sem novos adiamentos.

Cantor Adalto Mello morre atropelado; relembre o caso
Após o crime, Thiago ficou detido na Penitenciária II de Tremembé (SP) até 16 de maio. Na data, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus para a soltura do réu, determinando a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, como a proibição de deixar a cidade sem autorização judicial.
Na época, Badures sustentou que o cliente perdeu o controle do veículo e não assumiu risco deliberado. Ainda assim, o Instituto de Criminalística (IC) concluiu que o bancário trafegava em velocidade incompatível com a via. Ele responde por homicídio doloso com dolo eventual, quando se assume risco de matar, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A primeira audiência de instrução ocorreu em 17 de junho deste ano, de forma virtual, com depoimentos de dois policiais militares. Eles relataram que Thiago apresentava sinais de embriaguez, como fala arrastada, olhos avermelhados e odor de álcool. Também citaram dificuldade de locomoção do acusado no local do acidente.

Quem era o cantor de pagode Adalto Mello?
Cantor e compositor de pagode, Adalto se apaixonou pela música ainda na infância. De acordo com a família, ele aprendeu a tocar cavaco observando seu pai e, desde jovem, se dedicou à carreira musical, se apresentando em eventos e comércios. Também se formou em Educação Física e trabalhou em várias empresas.
Apesar disso, nunca abandonou o seu amor pela música, sempre conciliando o trabalho com os ensaios e apresentações à noite. Para ele, a música era um sonho a ser vivido, e não apenas uma fonte de dinheiro. A mãe do artista, Carla, destaca que o filho era apegado à família e sempre procurava transmitir amor e bondade para todos ao seu redor. Adalto será lembrado por fãs, amigos e familiares pela dedicação à música e à fé.
“Desde quando me entendo por gente, desde criança, eu já toco pagode e samba. Meu pai e minha mãe sempre curtiram música. Meu pai era de escola de Samba de Santos. Meu primo tocava em grupo de pagode”, disse o cantor em entrevista à VTV, emissora afiliada do SBT.