Enseada da substância pegajosa é o nome em Tupi de Mongaguá, que completa neste domingo (7), 66 anos de emancipação político-administrativa e coleciona conquistas, avanços urbanos e uma cultura característica que só os mongaguaenses possuem.
Para comemorar o aniversário da cidade, a VTV News produziu uma série de matérias para que os leitores conheçam Mongaguá. O projeto faz parte do especial Minha Cidade em Destaque, que busca valorizar e destacar as qualidades de cada município.
Como parte do especial, a prefeita Cristina Wiazowski participou de uma entrevista em formato pingue-pongue, detalhando os desafios enfrentados nos primeiros meses de gestão, os investimentos em andamento e as expectativas para o futuro de Mongaguá.

Ela é a primeira mulher a assumir o cargo no executivo da cidade e tomou posse em uma eleição suplementar neste ano, assumindo a pasta em julho.
Confira a entrevista:
Mongaguá completa 66 anos. Quais avanços recentes a senhora considera mais importantes para a cidade?
Encontramos uma cidade com problemas administrativos e financeiros muito graves. Trabalhamos esses cinco meses para reestruturar a cidade, primeiro na administração, equilibrando as contas e planejando o desenvolvimento da cidade. Estamos quebrando paradigmas, implantando um novo Código de Posturas, acabando com o jeitinho e preparando, verdadeiramente, a cidade para que ela alcance a importância que deveria ter na Região Metropolitana da Baixada Santista.
O seu mandato está sendo mais curto que os demais. A senhora acha que isso irá interferir no desempenho dos projetos? Como está ocorrendo o planejamento e execução?
Nós assumimos na metade do mês de julho, precisei decretar estado de calamidade administrativa e financeira, além do decreto de contingenciamento para ter condições de arcar com as despesas essenciais de saúde, educação, de pessoal, inclusive. Outra dificuldade foi a falta de contrato vigente. Pegamos contratos vencidos ou a vencer, e um órgão público precisa trabalhar com planejamento para dar tempo de fazer todo processo de compras com licitação, empenho etc.
Fizemos uma pequena varredura na administração e levantamos problemas das administrações passadas, que estão se desdobrando em ações civis públicas para deixar claro quem deu causa aos desmandos na cidade.
Tudo isso nos causou dificuldades, mas buscamos parcerias nas outras esferas de governo. Não vamos nos lamentar pelos erros das gestões passadas, estamos em busca de solucionar, de devolver para a população o orgulho em dizer: Eu sou de Mongaguá!
A temporada de verão aumenta a população e a pressão sobre os serviços públicos. Como a prefeitura está se preparando para o fluxo de turistas deste ano?
Instituímos regras claras na parte de comércio, em especial os que atendem à população turística, para dar melhor atendimento ao público; na parte da segurança, conseguimos, junto ao secretário de Segurança, capitão Derrite, o envio de mais 230 PMs para reforçar a segurança no verão. Nossa guarda está em capacitação contínua para fazer o melhor; na área da saúde, estamos recebendo ambulâncias, normalizando o fornecimento de medicamentos e insumos médicos para poder atender turistas que vêm pra cá, além da nossa população.
A mobilidade na orla é um ponto sensível. Quais melhorias foram implementadas e quais ainda estão previstas?
Toda a parte do centro da cidade fica muito movimentada durante o verão. Para melhorar a mobilidade já estamos fazendo mudanças de direção de ruas, implantação de vagas de estacionamentos para fazer fluir o trânsito. Já foi aprovado na Câmara, projeto de lei que regulamenta o uso de patinetes, bicicletas elétricas e autopropelidos, para organizar esse tipo de transporte na cidade, também. Tudo isso vai minimizar as questões de mobilidade, apesar de sabermos que com a cidade recebendo três vezes o número de sua população fica difícil zerar os problemas de mobilidade. Precisaríamos ter outras formas de deslocamento, como o VLT, por exemplo, mas isso é coisa para o futuro.
Mongaguá convive com desafios de enchentes e drenagem. Que ações estruturais estão em andamento para minimizar os impactos das chuvas?
Estamos atuando de forma contínua no enfrentamento aos desafios relacionados às enchentes e à drenagem urbana, adotando medidas estruturais e rotineiras para minimizar os impactos das chuvas, especialmente nos períodos de maior intensidade pluviométrica.
Diariamente, há o monitoramento e desobstrução de rios, canais e valas do município, com o uso de retroescavadeiras e serviços especializados de hidrojato para garantir a plena capacidade de escoamento das águas pluviais. Na parte estrutural, finalizamos as obras nos canais 4 e 6, intervenções essenciais para ampliar a vazão e reduzir pontos críticos de alagamento. Além disso, seguem em andamento as obras no Canal 3, que representam um avanço significativo no sistema de drenagem urbana. Também temos reformado bocas de lobo, trocado tubulações quebradas ou obstruídas que deságuam nos canais.
A revitalização de pontos turísticos, como a Plataforma de Pesca, Poço das Antas e Feirinha de Artesanatos, é frequentemente discutida. Há novos investimentos previstos nesses espaços?
Já tivemos o aceno de deputados que destinaram verbas para a área do turismo. Estamos aguardando os trâmites necessários paras que o dinheiro chegue até os cofres da prefeitura e possamos dar início a revitalização dos pontos turísticos.
Mongaguá tem forte identidade cultural e comunitária. Como a prefeitura vem valorizando artistas, tradições e iniciativas socioculturais?
Em Mongaguá, trabalhamos com a descentralização da cultura, envolvemos os artistas locais em apresentações no centro cultural e também nos bairros. Também incentivamos a formação com o oferecimento de cursos e auxílio para criar projetos e apresentações com outras esferas de governo. No meio do ano, temos o Festão na praia, evento que este ano deu lugar apenas a artistas locais, por quatro finais de semana. Mantemos o maior Festival Estudantil de Cultura, o FEMC, que, por 29 dias seguidos, envolveu 15 mil alunos da nossa rede escolar, com participação, inclusive, de escola indígena.
Temos escolas e cursos de dança, teatro, música e balé que somam 1.700 alunos. Acabamos de aprovar o sistema municipal de cultura, com a implantação do Fundo Municipal de Cultura, o Conselho da Cultura e o Plano Municipal de Cultura, tudo com participação da sociedade civil e dos artistas. Somos cidade referencial de leis de fomento à cultura na região.
A preservação ambiental é vital para o litoral. Que projetos de cuidado com rios, costões e áreas de mata estão no planejamento da gestão?
Temos diversos projetos nesta área, como a intensificação da fiscalização ambiental, com equipe realizando fiscalização diariamente, com apoio de força-tarefa com a Polícia Militar Ambiental semanalmente para pontos de desconstrução de invasão e tráfico animal, e com força intermunicipal com a prefeitura de Praia Grande, quinzenalmente, para coibir aterro clandestino e manter o congelamento de áreas para impedir ocupações irregulares.
Paralelamente, nossos técnicos estão com a revisão e atualização do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) em andamento, para orientar o uso sustentável do território e fortalecer políticas de proteção ambiental.
Nossos rios têm, continuamente, programas de limpeza, desassoreamento e desobstrução, para melhorar o fluxo da água, reduzir riscos de alagamentos e recuperar a capacidade natural de autodepuração dos rios. Tudo para preservar os habitats, ampliar a qualidade da água e fortalecendo a biodiversidade local.
2026 será ano de eleições estaduais e federais. Quais demandas Mongaguá pretende apresentar ao próximo governo? Há planos de apoiar algum candidato para fortalecer a representação da cidade?
Mongaguá, talvez como nunca antes, precisará de apoio dos Governos Federal e Estadual, o que reforça a necessidade de mantermos relações institucionais bem estreitas com cada um deles. Só através de recursos fruto de emendas e programas de financiamento é que poderemos enxergar um horizonte mais próspero para a nossa cidade. Acreditamos na força da democracia e no poder do voto, temos a certeza de que nossa população saberá escolher os candidatos que olharam com atenção para nós ao longo de seus mandatos, nos ajudando a reconstruir políticas públicas importantes.