O desempenho de cursos de medicina da Baixada Santista no Enamed 2025, avaliação aplicada pelo Ministério da Educação (MEC), revelou níveis de proficiência mediano, mas satisfatório segundo critérios, em instituições de ensino em Santos e Guarujá. Apenas uma unidade da Baixada registrou desempenho abaixo do esperado.
A pontuação faz parte de uma escala de conceitos, variando de 1 a 5, e reflete a proporção de estudantes que demonstraram domínio adequado das competências exigidas para o exercício da medicina, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais.
A média de conceito 3 é considerada satisfatória pelo MEC, enquanto a nota 2 indica que menos de 60% dos concluintes demonstraram proficiência necessária. Segundo dados do Ministério da Educação, quatro cursos da região foram avaliados:
- Centro Universitário Lusíada (Santos): 3
- Universidade Metropolitana de Santos (Santos): 3
- Universidade do Oeste Paulista (campus Guarujá): 3
- Universidade de Ribeirão Preto (campus Guarujá): 2
A redação tentou contato com a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e as demais faculdades e aguarda o retorno.
Unoeste avalia o resultado como positivo
Em nota, a Universidade do Oeste Paulista avaliou a participação do curso de medicina no Enamed como positiva ao obter o conceito 3, classificação considerada satisfatória pelo MEC. Segundo a universidade, o resultado está alinhado aos critérios definidos na avaliação nacional.
“Mais do que uma métrica isolada, o Enamed se soma a outros indicadores que refletem a qualidade do curso. Em sua última avaliação in loco, o campus Guarujá recebeu Conceito de Curso (CC) 5, nota máxima concedida pelo MEC, o que reconhece a estrutura pedagógica, o corpo docente e os investimentos institucionais dedicados ao ensino da Medicina”, informou a universidade

MEC promete medidas cautelares
No Brasil, 351 cursos foram avaliados pelo Enamed em sua primeira edição. Destes, 107 registraram desempenho insuficiente, sendo classificados nas faixas 1 ou 2. A maioria dos resultados negativos vem de instituições privadas ou municipais, com 87% e 61% das notas 1 e 2, respectivamente.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou em coletiva que as instituições mal avaliadas serão notificadas e terão prazo para apresentar defesa. Ele enfatizou que a medida busca “proteger a população que, depois, é assistida por esses profissionais”, reforçando que o foco da avaliação é a melhoria da formação médica e o fortalecimento do SUS.
Como punição, o MEC poderá adotar medidas como redução de vagas, suspensão do vestibular, bloqueio do FIES e impedimento de expansão dos cursos. Os processos administrativos serão instaurados de forma escalonada, com base no desempenho individual de cada instituição.
Avaliação nacional e repercussões
Dos cerca de 89 mil alunos avaliados, 39 mil eram concluintes, grupo utilizado para a aferição dos indicadores de aprendizagem. Apenas 67% dos estudantes atingiram o patamar considerado “proficiente”.
O Enamed também permite a utilização da nota no Enare — o Exame Nacional de Residência Médica —, que serve como porta de entrada para programas de especialização. Segundo o Inep, o objetivo central do exame é verificar se o formando reúne habilidades técnicas e éticas para atuação qualificada no sistema público de saúde.