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Influenciador é condenado a pagar R$ 100 mil por incentivar ‘rachas’ no litoral de SP

Maykon continua proibido de convocar ou incentivar eventos pelas redes sociais
Imagem mostra um carro esportivo branco estacionado à noite, com o retrato de um influenciador em destaque no canto, em referência ao caso “Influenciador condenado em 100 mil” por incentivar rachas no litoral de SP.

Um influenciador digital foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos por incentivar encontros automobilísticos com práticas de direção perigosa em Peruíbe, no litoral de São Paulo. A decisão foi tomada em segunda instância e reformou parcialmente a sentença de primeiro grau, que já havia proibido novas convocações, mas havia negado o pedido de indenização.

A 13ª Câmara de Direito Público entendeu que Maykon dos Santos Pereira utilizava as redes sociais – onde reúne cerca de 744 mil seguidores – para divulgar e incentivar encontros com aglomerações, rachas, manobras arriscadas e colisões entre veículos. O influenciador nega as acusações e informou que recorrerá da decisão.

Segundo a relatora do caso, desembargadora Flora Maria Nesi Tossi Silva, o alcance das publicações ampliava os riscos provocados pelas condutas. No voto, ela destacou que o réu “utilizou rede social com milhares de seguidores para divulgação de práticas violadoras das normas administrativas”, o que tornou “imensurável” o potencial de incentivar outras pessoas a repetir os atos.

Risco coletivo

A ação civil pública foi ajuizada pelo município de Peruíbe em 2024. A prefeitura alegou que o influenciador promovia encontros irregulares justamente durante períodos de grande movimento na cidade, atraindo multidões e sobrecarregando os serviços de segurança e saúde. Além da indenização, o município pediu medidas para impedir novas convocações pelas redes sociais.

Em primeira instância, a Justiça determinou que Maykon se abstivesse de convocar, promover ou incentivar eventos não autorizados que envolvessem aglomerações e direção perigosa em vias públicas. No entanto, o pedido de indenização por danos morais coletivos foi rejeitado. O município recorreu apenas desse ponto e conseguiu reverter a decisão no TJ-SP.

Ao analisar o recurso, a desembargadora afirmou que não era necessário comprovar acidentes ou prejuízos concretos para reconhecer o dano coletivo. Segundo ela, bastava a gravidade da conduta e sua capacidade de afetar valores protegidos pela sociedade. “A conduta de divulgar atitudes que podem incentivar a realização de práticas violadoras das normas administrativas é grave e gera reprovabilidade coletiva”, escreveu.

Condenação será destinada a fundo público

No acórdão, a magistrada também destacou que a medida possui função pedagógica e busca evitar a repetição de comportamentos semelhantes. Para ela, “a tutela inibitória não se mostra suficiente para reprovação da conduta”, motivo pelo qual a indenização também era necessária. O valor foi fixado em R$ 100 mil e será destinado ao fundo previsto na Lei da Ação Civil Pública, administrado com participação do Ministério Público e de representantes da comunidade.

Ainda conforme a decisão, fotografias, vídeos publicados nas redes sociais e um boletim de ocorrência demonstraram que os encontros ocorreram em mais de uma ocasião. O Tribunal concluiu que as publicações extrapolaram o âmbito individual, já que alcançavam centenas de milhares de seguidores e tinham potencial para estimular novas infrações de trânsito, colocando em risco a segurança pública e a ordem social.

Influenciador condenado em 100 mil: Justiça condena influenciador por promover encontros com manobras perigosas no litoral de SP; imagem mostra homem em viagem e um veículo motorizado vermelho em estrada com pessoas próximas
Justiça condena influenciador por promover encontros com manobras perigosas no litoral de SP – Foto: reprodução/redes sociais

O que diz a Prefeitura de Peruíbe

Em nota nesta quinta-feira (6), a Prefeitura de Peruíbe afirmou que a condenação representa uma vitória do município na atuação contra encontros automobilísticos irregulares promovidos por meio das redes sociais. Segundo a administração, a ação civil pública buscou impedir novas convocações e responsabilizar o influenciador pelos prejuízos causados à coletividade, especialmente durante períodos de grande movimento turístico.

O município também informou que apresentou embargos de declaração para pedir que os R$ 100 mil da indenização sejam destinados ao Fundo Municipal de Defesa dos Interesses Difusos (FID). A prefeitura afirmou que a medida pretende garantir que os recursos sejam revertidos em benefício da população.

“A decisão do TJ-SP representa uma importante vitória contra a impunidade nas redes sociais e o uso irresponsável da influência digital para promover atividades ilícitas que colocam em risco a vida das pessoas e a ordem pública. O Município seguirá atuando para que a lei seja cumprida e para que os recursos obtidos com a condenação sejam aplicados em prol da própria cidade”,
disse o órgão municipal.

O VTV News não localizou a defesa do influenciador até o momento, mas o espaço segue aberto.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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