Santos recebe pela primeira vez a peça O Legítimo Pai da Bomba Atômica, drama inspirado em fatos reais que mergulha nos bastidores da criação da arma mais devastadora da história, que há 80 anos destruiu as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
A apresentação gratuita será no dia 6/9, às 19hs, no Teatro Municipal Braz Cubas-Centro Cultural Patrícia Galvão (Av. Sen. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias), na programação do 67º Festival Santista de Teatro (FESTA).
Com elenco formado por atores nipo-brasileiros do Coletivo Oriente-se e dos mesmos produtores da peça Os três sobreviventes de Hiroshima, o espetáculo discute questões nucleares e detalhes não mostrados no filme Oppenheimer, sobre o projeto secreto do governo americano que desenvolveu as primeiras armas nucleares durante a Segunda Guerra Mundial.
A montagem tem texto do premiado dramaturgo Murilo César Dias, direção de Gabriela Rabelo e produção de Rogério Nagai, num mergulho em questões políticas, históricas e éticas que envolvem a criação da bomba atômica e sua utilização até os dias de hoje.
A peça é inspirada na história real do físico húngaro Léo Szilárd, que fugiu da perseguição nazista, criou o conceito de reação em cadeia e foi um dos responsáveis pela criação da bomba atômica.
O espetáculo traz para a cena figuras como sua esposa, a médica Gertrude Weiss, o físico teórico alemão Albert Einstein, o presidente americano Harry Truman, o general Groves, e outros que direta ou indiretamente colaboraram para a criação dessa arma e seu lançamento.
O Legítimo Pai da Bomba Atômica e seu drama interno
O caminho entre a descoberta científica e a sua utilização como arma de destruição em massa é acompanhado por um drama interno de Szilárd, que vê sua invenção ser desviada do objetivo, numa encruzilhada entre ciência e consciência.
A bomba lançada sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, matou instantaneamente cerca de 70 mil pessoas. Mas o número de mortos ultrapassou 140 mil até o fim daquele ano. Três dias depois, a bomba de Nagasaki acrescentou mais de 74 mil vítimas à tragédia, mudando para sempre a geopolítica mundial e permanece como um alerta sobre o uso da ciência para fins bélicos.
“O objetivo do espetáculo é disseminar a cultura de paz, promovendo um debate sobre a insanidade das armas de destruição em massa, através da história de Szilárd, ao mesmo tempo que convidamos o público a refletir sobre a estupidez da guerra e da utilização das armas terríveis que vêm sendo criadas com o avanço da ciência. Infelizmente, o espetáculo é atual, com uma ameaça nuclear tanto pela guerra da Ucrânia com a Rússia, como no Oriente Médio e Ásia (Paquistão e Índia)”, reforça Rogério Nagai, produtor executivo e coordenador do projeto, que já viveu o físico na montagem.
A diretora Gabriela Rabelo destaca a pertinência da obra, mesmo 80 anos depois desse triste episódio. “A importância desse espetáculo nos dias de hoje está no fato de que as guerras não acabaram. Elas têm nomes diferentes (Guerra Fria, Guerra da Síria, Guerra da Ucrânia, etc), mas os homens desenvolveram armas mais terríveis do que a bomba atômica. É preciso parar com essa estupidez”.
O espetáculo O Legítimo Pai da Bomba Atômica foi premiado na 6ª edição do Prêmio Zé Renato de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo em 2018, além de ter sido indicado ao prêmio Aplauso Brasil pela crítica teatral, por Melhor Figurino e Melhor Dramaturgia. A obra já passou por diversos teatros em São Paulo e cidades como Sertãozinho, Registro, Francisco Morato e Campo Grande.