Abrir um negócio de café virou aposta comum nos últimos anos. Os números do Sebrae confirmam a impressão: entre 2020 e 2025, o número de empresas ativas no segmento cresceu 38%, com avanço médio de 7,7% ao ano.
O perfil de quem entra é bem definido. Do total de empresas do setor, 98% são de pequeno porte. São donos que atendem no balcão, torram o próprio café ou montam operação enxuta com poucos funcionários.
O que puxa esse movimento é a combinação de dois fatores. De um lado, o consumidor mais exigente, que aceita pagar mais por qualidade e procedência. De outro, o custo de entrada relativamente baixo comparado a outros ramos da alimentação.
A pesquisa do Sebrae também mapeou as dificuldades. As mais citadas por quem já está no mercado são acesso a novos clientes, formação de preço e efeitos do clima sobre a matéria-prima. O preço do café cru subiu mais de 200% em cinco anos, o que aperta a margem de quem compra grão para revender torrado.
Há um dado que ajuda a entender a virada: o café passou a ser percebido como estilo de vida, não só como bebida. Isso muda o que o cliente espera encontrar, da embalagem ao atendimento, e abre espaço para negócios que trabalham identidade, não só volume.
Na Baixada Santista, o setor tem exemplos que atravessaram gerações antes de o mercado ficar aquecido. Negócios familiares que passaram de pai para filho convivem hoje com quem chegou nos últimos cinco anos, e ambos disputam o mesmo consumidor.
“O consumidor de hoje pergunta coisas que ninguém perguntava vinte anos atrás. Quer saber a origem, o produtor e quando o café foi torrado”, diz Victor Mauri, um dos donos do Rei do Café, torrefação de família no Centro de Santos. “Isso obrigou todo mundo a se organizar melhor, inclusive quem já estava no mercado há muito tempo.”
Para quem estuda entrar no ramo, a leitura dos dados sugere uma coisa: o crescimento existe, mas a concorrência subiu junto. Quem entra sem diferencial claro disputa preço, e disputar preço num setor de margem apertada costuma ser o caminho mais curto para fechar as portas.
Conheça o Rei do Café, um negócio familiar que atravessou gerações: Nossa História




