Um acidente de trânsito ocorrido na madrugada do dia 2 de janeiro resultou na morte de Luis Eduardo Oliveira Titara, de 31 anos, no bairro Hípica Jaguari, em Bragança Paulista. O carro onde ele estava colidiu contra a traseira de um caminhão na Rua Ricieri Zadra Piniano, e foi encontrado supostamente abandonado no local com o documento de habilitação do condutor, mas sem qualquer ocupante no interior.
A vítima, passageira do veículo, foi socorrida com ferimentos gravíssimos e morreu horas depois no Hospital Universitário São Francisco, após sofrer três paradas cardiorrespiratórias.
Segundo a Polícia Militar, não havia testemunhas no momento do acidente, nem câmeras de segurança nas imediações. O veículo, um Fiat Palio, estava com o licenciamento vencido e foi recolhido ao pátio. A apuração preliminar indica que o motorista era o pai da vítima, Carlos Alberto Silva Titara, de 57 anos, que teria deixado o local antes da chegada do socorro.
Defesa nega fuga e fala em abalo emocional
Quase duas semanas depois da colisão, a defesa do condutor enviou uma nota à imprensa para apresentar a versão do pai de Luis.
No documento, o advogado Guilherme Alvares afirma que pai e filho retornavam para casa após uma confraternização familiar, sob chuva intensa e visibilidade comprometida, quando houve o impacto com o caminhão. Segundo ele, Carlos permaneceu no local até a chegada das equipes de socorro, mas se afastou logo depois em estado de choque, sem intenção de fugir.

O advogado reconhece que o motorista se ausentou após o acidente, mas sustenta que isso se deu por conta do “intenso abalo psicológico” sofrido diante da gravidade da situação. Ele ressalta que o condutor se apresentou espontaneamente à delegacia e vem colaborando com a investigação.
“Não houve decisão de abandono, tampouco intenção de se furtar às responsabilidades legais”, diz a nota.
Ainda segundo a defesa, o episódio se trata de uma “tragédia familiar” e vem sendo tratado de forma técnica no inquérito policial. O advogado também criticou os julgamentos precipitados nas redes sociais, afirmando que Carlos foi “rotulado e atacado publicamente”, a ponto de não conseguir comparecer ao velório do filho.
“Trata-se de uma situação extremamente delicada, que exige cautela, responsabilidade e empatia”, completou.
Investigação aponta possível omissão de socorro
A ocorrência foi inicialmente registrada como acidente de trânsito com vítima grave, mas, após a confirmação da morte, passou a ser tratada como homicídio culposo na direção de veículo automotor. A perícia técnica esteve no local e realizou os primeiros levantamentos. O inquérito segue em andamento para esclarecer a dinâmica da colisão e a eventual responsabilidade penal do condutor.
Carlos Alberto Silva Titara é, até o momento, investigado e poderá responder também por abandono de local de acidente e omissão de socorro, caso os indícios sejam confirmados. Não há, até agora, confirmação se ele será indiciado formalmente.
A delegacia de Bragança Paulista segue ouvindo testemunhas e reunindo provas para a conclusão do inquérito. A expectativa é de que novas informações sejam divulgadas nas próximas semanas, inclusive com base nos depoimentos técnicos e na análise do estado do veículo.