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Mulher trans encontrada morta em casa deixa legado de afeto e amor pelos animais

CAPA MATERIA

Bianca dos Santos, conhecida pelo nome social Bianca, morreu dentro da casa onde morava, no bairro Santa Libânia, em Bragança Paulista. A mulher trans, que trabalhava como diarista e vivia apenas na companhia de sete cães, deixou amigos, vizinhos e pessoas próximas comovidos pela forma como conduzia a vida, marcada pelo bom humor, pela disposição em ajudar e pelo carinho dedicado aos animais.

Uma vizinha e o empregador encontraram Bianca sem vida na quarta-feira (3), na residência localizada na Rua Santa Cruz. Como a diarista não apareceu para trabalhar, o desaparecimento chamou a atenção de pessoas próximas. A vizinha, que possuía uma cópia da chave, entrou no imóvel junto com o empregador e encontrou Bianca sobre a cama.

Devido ao avançado estado de decomposição, os primeiros indícios apontam que a morte ocorreu alguns dias antes. Agora, exames do Instituto Médico Legal devem esclarecer a causa do óbito.

Amiga lembra trajetória marcada por superação e afeto

Bianca morava no bairro Santa Libânia havia cerca de 30 anos e conquistou a amizade de muitas pessoas ao longo desse período. A jornalista e radialista Luci Miranda, amiga da diarista, afirmou que Bianca enfrentou preconceitos durante toda a vida, mas construiu relações de carinho e respeito.

“Bianca foi resistência. Sendo mulher trans, enfrentou preconceito a vida toda, mas conquistou respeito e muitos amigos. Será lembrada pelo sorriso largo, pelo bom humor e pela disposição em ajudar. Ela fazia piada dos próprios desafios da vida e tinha um amor enorme pelos animais e pelas plantas. Apesar da casa simples, mantinha um jardim lindo e muito bem cuidado”, relatou.

Além disso, pessoas próximas contaram que Bianca enfrentava problemas de saúde nas últimas semanas, principalmente por causa da diabetes. Uma funcionária de um comércio da Rua Santa Cruz contou que conversou com ela pela última vez na sexta-feira (29). Na ocasião, a diarista comentou que não se sentia bem.

Cães ainda sentem a ausência da tutora

A Divisão de Bem-Estar Animal (DIBEM) assumiu os cuidados dos sete cães que viviam com Bianca. Entretanto, a equipe técnica decidiu mantê-los provisoriamente na própria residência. Diariamente, profissionais levam água, ração e monitoram as condições dos animais.

Segundo o órgão, os cães estão saudáveis e não apresentam sinais de maus-tratos. No entanto, ainda demonstram medo e evitam a aproximação de outras pessoas.

Luci Miranda acompanhou o trabalho das equipes e explicou que os animais parecem sentir a falta da tutora.

“Eles estão resistentes em se aproximar de outras pessoas que não fossem a Bianca. Era ela quem cuidava e alimentava todos. Os cachorros estão fortes, bem cuidados, mas perderam a pessoa em quem confiavam. Agora será preciso conquistar essa confiança aos poucos”, afirmou.

Terreno com vegetação dificulta aproximação

Bianca vivia em uma casa com quintal amplo, árvores, vegetação e antigas construções parcialmente demolidas. Por isso, os cães encontram diversos esconderijos, o que dificulta uma aproximação mais rápida.

Diante desse cenário, as equipes do Samuvet e da Divisão de Bem-Estar Animal preferiram não forçar a retirada dos animais. Dessa forma, evitam estresse e possíveis ferimentos.

Conforme explicou Luci, os profissionais visitam o local frequentemente e oferecem ração e sachês para que os cães associem a presença das equipes a uma experiência positiva. Assim, a expectativa é conquistar a confiança dos animais de maneira gradual.

Enquanto isso, o maior dos cães já demonstra um comportamento mais amigável e chegou a acompanhar os visitantes até a saída da casa. Os demais, porém, continuam escondidos entre a vegetação e latem quando percebem a presença de pessoas desconhecidas.

Animais passarão por castração e seguirão para adoção

Depois que conquistarem a confiança dos cães, as equipes vão retirá-los da residência com segurança. Em seguida, os animais passarão por castração e entrarão no processo de adoção responsável.

Segundo pessoas que acompanham o caso, a tendência é que os cães encontrem novos lares separadamente. Afinal, poucas famílias teriam condições de acolher os sete animais ao mesmo tempo.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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