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Feminicídio em Bragança: mulher é morta e ex é preso em 12h

Jovem de 24 anos foi assassinada a tiros dentro do carro; suspeito, ex-companheiro, foi localizado e preso horas depois
CAPA MATERIA

Uma jovem de 24 anos foi vítima de feminicídio na madrugada deste domingo (22), em Bragança Paulista. O crime aconteceu na Rua Dr. Freitas, no bairro Matadouro, e teve como autor o ex-companheiro da vítima, que foi preso poucas horas depois.

De acordo com as informações apuradas, a vítima, identificada como Luene Vitória Moraes de Oliveira, estava dentro de um veículo modelo Gol, de cor preta, quando foi surpreendida por um homem em uma motocicleta. O suspeito, que utilizava uma bag de entregador, se aproximou e efetuou diversos disparos contra a jovem, fugindo na sequência.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado, mas a vítima não resistiu aos ferimentos e teve o óbito constatado ainda no local.

Crime e investigação

A Polícia Militar foi a primeira a chegar na ocorrência, isolando a área para os trabalhos da perícia e iniciando diligências imediatas. A Polícia Civil e a Polícia Técnico-Científica também atuaram no local, dando início às investigações.

Testemunhas relataram que houve uma discussão entre a vítima e o autor pouco antes do crime, o que pode ajudar a esclarecer a motivação.

Com o avanço das apurações e o trabalho conjunto entre as forças de segurança, o suspeito foi identificado como Marcelo Lucas de Souza Amaral, de 25 anos, ex-companheiro da vítima.

Ele foi localizado ainda na manhã de domingo, no bairro Jardim São Miguel. Após buscas em uma residência indicada, os policiais conseguiram encontrá-lo em uma área de mata nas proximidades, onde foi preso em flagrante. Segundo a polícia, o homem confessou o crime.

(Imagem: reprodução/Jornal Mais Bragança)

Histórico de violência

O caso reforça um padrão recorrente nos crimes de feminicídio no país. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em cerca de 90% dos casos, o autor é alguém conhecido da vítima, geralmente parceiro ou ex-companheiro.

No caso de Luene, já havia registros anteriores de violência. Contra o suspeito existia uma medida protetiva que o proibia de se aproximar da jovem, além de ocorrências envolvendo ameaça, agressão e até tentativa de homicídio.

A vítima também era acompanhada pelo programa Guardiã Maria da Penha, vinculado à Secretaria Municipal de Segurança.

Ainda conforme apuração, o suspeito já respondia a outros inquéritos e processos na Justiça, incluindo casos em que a própria Luene era vítima.

Relato da família

Em um vídeo publicado por páginas locais, o pai da jovem relatou que a filha vinha sofrendo perseguições constantes após o término do relacionamento.

Segundo ele, o suspeito já havia invadido a casa da vítima anteriormente e efetuado disparos de arma de fogo, além de continuar monitorando seus passos mesmo após o fim da relação.

O relato reforça o histórico de violência e ameaça que antecedeu o crime.

(Entrevista como pai da vítima / Imagens cedidas pelo Jornal Mais Bragança)

Mais um caso de feminicídio

O assassinato de Luene volta a colocar Bragança Paulista nas estatísticas de feminicídio, crime caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão do gênero, frequentemente associado à violência doméstica, controle, ciúmes ou inconformismo com o fim do relacionamento.

A pena para o crime de feminicídio pode chegar a 40 anos de prisão.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Serviço

Em casos de violência contra a mulher, a denúncia pode ser feita de forma gratuita e anônima pelo telefone 180, canal nacional que funciona 24 horas por dia. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo 190. Também é possível buscar apoio em delegacias especializadas, unidades de saúde e centros de atendimento à mulher, que oferecem acolhimento, orientação jurídica e suporte psicológico


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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