A partir desta segunda-feira (1º), a Secretaria de Saúde de Campinas inicia a expansão do acesso à PrEP e à PEP, métodos de prevenção contra a infecção por HIV, em 12 novos centros de saúde da cidade (confira a lista).
Até então, a PrEP (profilaxia pré-exposição) e a PEP (profilaxia pós-exposição) eram distribuídas somente no Centro de Referência em IST, HIV/Aids e Hepatites Virais, no Centro, e no CS Santos Dumont, no Jardim Itatinga. A PEP também segue disponível no Hospital Mário Gatti, em regime de plantão aos finais de semana.
Cada distrito da cidade passa a contar com duas unidades aptas a ofertar os métodos preventivos. Segundo a secretaria, os locais foram definidos com base no fluxo de pacientes, na vulnerabilidade social e na acessibilidade dos territórios. Além disso, cinco desses centros também funcionam aos sábados.
- O que é PrEP e PEP? — Enquanto a PrEP é indicada para uso contínuo por pessoas com maior risco de exposição ao HIV, a PEP é aplicada em situações emergenciais, como violência sexual, exposição a material biológico ou relação sexual desprotegida.
A PrEP é composta por dois medicamentos antirretrovirais (tenofovir e entricitabina), combinados em um único comprimido de uso diário, com ação preventiva sobre os caminhos de infecção do vírus. Já a PEP exige início em até 72 horas após a exposição e é composta por um esquema de 28 dias de tratamento. Ambas as estratégias integram a política pública do SUS para redução da incidência de HIV, especialmente em populações-chave.

Segundo o coordenador do programa municipal de IST, HIV/aids e Hepatites Virais, “a expansão da PrEP para os centros de saúde amplia o acesso principalmente para as populações mais vulneráveis”.
A cidade figura entre as primeiras a implementar a PrEP no SUS, em 2018, e atualmente ocupa a 8ª posição nacional em volume de usuários do método. Desde a adoção, 3.509 pessoas iniciaram o uso contínuo da profilaxia e 2.194 seguem em acompanhamento, segundo dados atualizados até 30 de outubro de 2025. A taxa de descontinuidade é considerada uma das menores do país.
Tendência epidemiológica e perfil dos casos
O número de diagnósticos de infecção por HIV em Campinas se mantém relativamente estável na última década, com média anual de 216 casos entre 2013 e 2024. Neste ano, 2.241 indivíduos utilizaram a PEP em Campinas. Desses, 75% estavam relacionados a exposições sexuais consensuais, 20% a acidentes com material contaminado e 5% a casos de violência.
No ano passado, foram 226 registros. Em 2024, até o último balanço, foram identificadas 203 novas infecções. A maioria dos casos ocorre entre homens de 20 a 39 anos, faixa etária que concentrou mais de 60% dos diagnósticos masculinos nos dois últimos anos.
Entre as mulheres, a tendência é de queda. Foram 33 casos em 2024, contra 56 no ano anterior. Já os adolescentes e idosos representam parcelas menores, mas com manutenção de notificações recorrentes. Os dados indicam ainda que homens representam mais de 80% do total de casos acumulados entre 2013 e 2024.