Nesta quinta-feira, 2 de abril, quando é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, histórias de inclusão e acolhimento ganham ainda mais destaque. Em Campinas, um programa tem se consolidado como referência no atendimento a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), aliando cuidado especializado e suporte às famílias.
Criado em 2012 pela psiquiatra Sueli Cabral Rathsam, em parceria com um grupo de familiares, o Centro de Referência Paica (Programa de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente) nasceu com a proposta de oferecer um atendimento humanizado e multidisciplinar.
Após uma pausa nas atividades em 2020, durante a pandemia, o projeto foi retomado em 2021 e, desde então, vem ampliando seu alcance e impacto social na cidade.
Atendimento que vai além da criança
Atualmente, o PAICA realiza cerca de 1.500 atendimentos terapêuticos por mês, além de aproximadamente 630 atendimentos voltados às famílias. Ao todo, 85 crianças e adolescentes são acompanhados diretamente pelo programa, em sua maioria vindos de contextos de vulnerabilidade social.
Os atendimentos são feitos por uma equipe interdisciplinar, que envolve áreas como psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia e pedagogia. Mas um dos diferenciais da iniciativa está justamente no olhar ampliado para o entorno dessas crianças.
Por meio do projeto “Cuidando de Quem Cuida”, familiares também recebem apoio psicológico, orientação e acompanhamento social, que é uma estratégia considerada essencial para o desenvolvimento dos pacientes.
Além disso, o programa investe na formação de redes de apoio, com iniciativas como o “Saber TEA”, voltado à capacitação de profissionais da educação, e projetos que estimulam autonomia e qualidade de vida, incluindo atividades assistidas por animais.
“Para 2026, o Paica pretende iniciar um projeto piloto voltado ao desenvolvimento de habilidades sociais para adolescentes e jovens entre 15 e 18 anos”, afirma a coordenadora executiva, Susy Ferraz.
Crescimento e desafios
Atualmente, cerca de 200 crianças e adolescentes aguardam na fila de espera. Para enfrentar essa demanda, o programa busca novos parceiros institucionais e doadores que possam contribuir para a manutenção e expansão das atividades.
“Apoiar o PAICA é investir diretamente na inclusão e no desenvolvimento dessas crianças, além de fortalecer suas famílias”, reforça a coordenadora técnica Roberta Micuci Marques.
Em um cenário em que o acesso ao atendimento especializado ainda é um desafio, iniciativas como o Paica reforçam o papel das organizações sociais na construção de uma rede mais inclusiva e acessível.