O empresário Alberth Cesar Janjon foi preso nesta quinta-feira (21) em Campinas (SP). A ação ocorreu durante a Operação “Jogo Sujo”, deflagrada pela Polícia Civil. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa ligada à exploração clandestina de jogos de azar em plataformas digitais.
A operação foi realizada de forma simultânea em São Paulo, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia e Santa Catarina. Além disso, os policiais cumpriram mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Civil, os agentes localizaram o investigado em um apartamento de alto padrão, no bairro Nova Campinas. Ele é apontado pelas investigações como integrante da estrutura responsável pelo esquema.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam dois veículos de luxo. Os bens são avaliados em mais de R$ 1 milhão. Além disso, foram recolhidos celulares, notebooks, cartões bancários, bolsas e mais de dez relógios de grife. Um dos itens pode chegar a cerca de R$ 1 milhão, segundo a polícia.
Investigação começou no Ceará
De acordo com a Polícia Civil, o caso teve início no Ceará. Lá, um trabalho de inteligência identificou uma possível organização criminosa com atuação em pelo menos seis estados.
O grupo é suspeito de operar plataformas ilegais de apostas e jogos de azar. Além disso, teria movimentado dezenas de milhões de reais. Para isso, segundo a investigação, utilizava contas de terceiros, empresas de fachada e mecanismos de ocultação patrimonial.
A apuração também aponta o uso de influenciadores digitais. Eles teriam sido usados para divulgar as plataformas e atrair usuários. Em muitos casos, as postagens prometiam ganhos rápidos e ostentação de luxo.
Segundo a polícia, alguns influenciadores recebiam pagamentos fixos. Outros também poderiam ganhar comissões sobre as perdas dos apostadores.

Estrutura criminosa e outros alvos
A Polícia Civil afirma que o grupo atuava de forma estruturada. Ou seja, havia divisão de funções entre administradores, operadores financeiros, captadores de usuários e responsáveis pela movimentação de recursos.
Ainda segundo a investigação, o principal líder do esquema foi preso ao retornar ao Brasil. Ele foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos. O suspeito havia tentado viajar para os Estados Unidos, mas teve o visto cancelado.
Enquanto isso, as diligências continuam. A polícia busca identificar outros envolvidos. Além disso, tenta calcular o prejuízo total, que pode chegar a dezenas de milhões de reais.
Nome citado na CPI das Bets
O nome de Alberth Cesar Janjon também já havia aparecido no radar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado Federal.
Em dezembro de 2024, a senadora Soraya Thronicke (PSB) apresentou um requerimento para convocá-lo como testemunha da comissão. No documento, Janjon foi citado como proprietário da plataforma Brabet e sócio-administrador da empresa Zils Transfer Games Participações Societárias Ltda.
Na justificativa do pedido, a senadora destacou que a convocação tinha como objetivo esclarecer denúncias relacionadas às empresas atribuídas ao empresário. O texto também apontava a necessidade de apurar “eventuais irregularidades e suas possíveis implicações no mercado de apostas online e no orçamento das famílias brasileiras”.

Empresa nega vínculo com investigado
Após a repercussão do caso, a BB Gaming Ltda., responsável pelo registro da marca Brabet no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), se manifestou.
Em nota enviada ao VTV News, a empresa afirmou que não possui qualquer vínculo societário, comercial ou operacional com o investigado.
Além disso, informou que o nome de fantasia “Brabet” teria sido utilizado anteriormente por outra empresa. Trata-se da On-Line Games Diversões e Entretenimento Ltda., que está com registro inativo desde outubro de 2024.
Portanto, segundo a nota, não há relação entre a atual detentora da marca e o empresário citado na investigação.

Defesa contesta prisão
A defesa de Alberth Cesar Janjon também se manifestou ao VTV News. Os advogados classificaram a prisão preventiva como “inadequada e desproporcional”.
Segundo a defesa, o empresário atua legalmente no setor de apostas esportivas. Além disso, afirma que ele possui residência fixa e atividade empresarial conhecida.
Os advogados também contestam a origem de parte dos bens apreendidos. De acordo com a defesa, nem todos os itens pertencem ao investigado.
Por fim, informam que o caso já é analisado em outro procedimento judicial.
Operação segue em andamento
A Operação “Jogo Sujo” continua em andamento. Novas fases podem ocorrer nos próximos dias em diferentes estados.
A Polícia Civil também segue investigando o fluxo financeiro do esquema. Além disso, busca identificar toda a rede de envolvidos.
Denúncias sobre jogos ilegais e golpes virtuais podem ser feitas pelos canais oficiais das polícias civis ou pelo Disque-Denúncia 181.