A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentou uma proposta para transformar a área da saúde em uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), com conclusão do processo até 2036. O plano, elaborado por um grupo de trabalho designado pela Reitoria, foi entregue ao reitor Paulo Cesar Montagner na última quinta-feira (6) e divulgado nesta segunda (10). O relatório sugere que a autarquização seja aprovada ainda no primeiro semestre de 2026, iniciando um período de transição de dez anos.
De acordo com o documento, o novo modelo administrativo proporcionará autonomia financeira e de gestão, mantendo a vinculação acadêmica com a Unicamp.
O texto prevê a criação do Hospital das Clínicas da Unicamp (HC-Unicamp), que reunirá oito unidades assistenciais, incluindo o Hospital Central e o Hospital da Mulher. O projeto será submetido ao Conselho Universitário (Consu) e, se aprovado, encaminhado ao governo estadual para implementação.
Modelo inspirado em outras universidades
O relatório aponta que a proposta seguirá modelos já consolidados na Faculdade de Medicina da USP e na Unesp de Botucatu, onde as unidades hospitalares operam como autarquias com autonomia orçamentária. No caso da Unicamp, a nova estrutura permitirá que a SES assuma gradualmente os custos operacionais e, a partir de 2031, o ressarcimento integral da folha de pagamento dos servidores da área da saúde.
Além de assegurar a continuidade do atendimento integral ao Sistema Único de Saúde (SUS), a autarquia deverá impulsionar a expansão acadêmica e assistencial da universidade. A proposta prevê a criação de novos cursos de graduação e pós-graduação, com 1.100 novas vagas até 2030, em áreas estratégicas como Medicina, Engenharia Biomédica, Psicologia, Fisioterapia, Direito, Ciência de Dados, Energia e Inteligência Artificial.
Expansão e modernização
Com a autarquização, a Unicamp projeta um crescimento de 7.700 alunos de graduação e 3.850 de pós-graduação até 2036, além da contratação escalonada de docentes e técnicos-administrativos. A estimativa do GT é de 13.554 novos integrantes na comunidade universitária ao longo do período.
O relatório também recomenda a modernização curricular e o fortalecimento da interdisciplinaridade, integrando ensino, pesquisa e extensão. Para sustentar o crescimento, serão necessários investimentos em infraestrutura, incluindo novos prédios, laboratórios, moradias e restaurantes universitários. O financiamento deverá vir do alívio progressivo na capacidade de autofinanciamento da Unicamp, uma vez que a Secretaria da Saúde passará a custear gradualmente os serviços assistenciais.
O documento assegura que os benefícios e direitos dos servidores atuais serão preservados, incluindo auxílio-transporte, alimentação e saúde, além da continuidade nos programas de progressão e formação profissional.

Comparativos com outros hospitais
O relatório destaca que, entre os hospitais universitários do estado de São Paulo, apenas a área da saúde da Unicamp ainda integra a estrutura administrativa direta da universidade. Embora isso tenha garantido excelência assistencial, o modelo é apontado como um obstáculo à expansão e à agilidade nos investimentos.
A comparação com outras instituições mostra a disparidade: o HC da Unicamp dispõe de 560 leitos para uma população de 4,2 milhões de pessoas dependentes do SUS — 7.500 pacientes por leito.
Já o HC de Ribeirão Preto possui 800 leitos para 2,6 milhões de habitantes (3.300 pacientes por leito), enquanto o Hospital de Base de Rio Preto conta com 900 leitos para 2,4 milhões de pessoas (2.700 por leito) e o HC de Botucatu tem 561 leitos para 1,3 milhão (2.300 pacientes por leito).
Apoio do governo estadual
A proposta ganhou impulso político após uma reunião entre o reitor Montagner e o governador Tarcísio de Freitas no início de setembro, quando o governo deu sinal verde para o início dos estudos técnicos e orçamentários. O objetivo é garantir uma transição gradual até 2036, com expansão acadêmica e administrativa sustentada ao longo da década.
O projeto aguarda agora apreciação do Conselho Universitário, e, caso aprovado, seguirá para análise e implementação pelo governo do Estado de São Paulo.