A Polícia Civil investiga uma instituição de ensino de Campinas suspeita de oferecer curso técnico de enfermagem sem autorização dos órgãos competentes e emitir diplomas sem validade legal. A operação ocorreu nesta quarta-feira (27), no bairro Parque Valença, após denúncias de estudantes que afirmam ter descoberto a irregularidade ao tentar obter registro profissional.
Durante a ação, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na sede do Instituto Educacional Novo Nível e também na residência do proprietário da escola. Documentos, equipamentos e materiais ligados à investigação foram recolhidos.
Alunos denunciaram suposto golpe
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após uma ex-aluna registrar boletim de ocorrência no 11º Distrito Policial de Campinas. Ela relatou dificuldades para apresentar a documentação necessária ao conselho de classe após concluir o curso técnico.
Ao procurar a Diretoria de Ensino da região Campinas Oeste, a estudante descobriu que a instituição não possuía autorização para funcionamento. Depois da denúncia inicial, outros alunos também procuraram a polícia. Até o momento, ao menos sete registros foram formalizados.
Os estudantes apresentaram contratos que apontam pagamentos de aproximadamente R$ 12,7 mil pelo curso, que tinha duração de dois anos.
Polícia apura atuação irregular desde 2022
De acordo com o delegado Luiz Fernando Marucci, a suspeita é de que a escola opere de forma irregular desde 2022. A investigação também apura se alguns alunos formados chegaram a atuar em hospitais mesmo sem formação reconhecida oficialmente.
Ainda conforme a polícia, havia rumores sobre denúncias em andamento e, diante disso, a instituição teria antecipado férias.
O proprietário da escola prestou depoimento e afirmou que a situação seria administrativa. Segundo o delegado, ele se comprometeu a apresentar documentos relacionados ao funcionamento da instituição.

Diretoria de Ensino negou autorização
No mês passado, a Diretoria de Ensino Campinas Oeste indeferiu o pedido de funcionamento da unidade. Segundo a decisão, a instituição não apresentou toda a documentação exigida pelo Conselho Estadual de Educação.
O órgão também apontou inadequações estruturais no imóvel indicado para funcionamento da escola.
A Justiça determinou o bloqueio de valores em contas ligadas à instituição para possível reparação financeira às vítimas. A Polícia Civil ainda investiga se parte dos estudantes tinha conhecimento de que o curso não possuía reconhecimento oficial.
Alunos que suspeitam de irregularidades em instituições de ensino podem consultar a situação da escola junto ao Ministério da Educação e à Diretoria Regional de Ensino antes da matrícula. Denúncias podem ser registradas presencialmente em delegacias ou pelos canais oficiais da Polícia Civil de São Paulo.