O Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) e o Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ) deram início ao ‘Primeiros Laços‘, um programa, em parceria com a Secretaria de Saúde que visa oferecer acompanhamento domiciliar gratuito para adolescentes gestantes que estão na sua primeira gravidez, com idade entre 14 e 24 anos e até 20 semanas de gestação. O programa, que já é promovido em Indaiatuba, foi lançado oficialmente em Jaguariúna na tarde de quinta-feira (14), durante cerimônia no auditório da UniFAJ.
Em Jaguariúna, o Primeiros Laços busca diminuir o sofrimento emocional pré e pós-parto das gestantes, melhorar desfechos relacionados à saúde, desenvolver habilidades parentais, proporcionar maior sensibilidade e responsividade às necessidades dos filhos, fortalecer os laços afetivos, além de melhorar o desenvolvimento físico, social e cognitivo dos bebês.
“O projeto tem por objetivo fortalecer esse vínculo entre a mãe e o bebê, proporcionando à criança um desenvolvimento infantil adequado e com qualidade”, salienta a gestora do curso de Enfermagem da UniFAJ e Supervisora do Primeiros Laços em Jaguariúna, professora Adriana Tebaldi.
“Para nossos alunos, o programa surge como grande oportunidade de experiência junto à atenção primária e na área de pesquisa, pois poderão adquirir um conhecimento aprofundado sobre gestação na adolescência e desenvolvimento infantil”.
Durante o programa, as visitas domiciliares às gestantes de Jaguariúna ocorrem desde o período de gestação até os 2 anos de idade da criança. Cada participante recebe um total de 38 visitas – 13 durante a gestação, três no puerpério, 12 quando o bebê tem entre 2 e 12 meses e 10 entre o primeiro e o segundo ano de vida da criança. A duração de cada acompanhamento varia de 40 a 60 minutos e podem ser quinzenais ou mensais, a depender da idade do bebê.
Nas visitas, as enfermeiras orientam as mães de primeira viagem sobre a preparação para o parto e a rotina que terão com o bebê após o nascimento, ensinando-as a trocar fraldas, dar banho, amamentar, entre outras atividades práticas.
“A partir de agora, com o oferecimento das visitas domiciliares às jovens gestantes, teremos um ganho significativo na assistência a gestantes em situação de vulnerabilidade social, com repercussões positivas na saúde mental e no desenvolvimento infantil”, explica o gestor do programa Primeiros Laços, Vinícius Nagy Soares.
Para ingressar no Primeiros Laços, jovens gestantes moradoras de Jaguariúna devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. As interessadas também podem contatar a equipe do programa para tirar dúvidas pelo WhatsApp (19) 9.9568-8845. O projeto possui, ainda, uma página no Instagram com mais informações: primeiroslacos_.
“Temos o privilégio de ter hoje a UniFAJ e a UniMAX como as únicas instituições de ensino privado a participar desse projeto, que é tão importante para a população de Jaguariúna. É a inovação e a pesquisa trazendo soluções para a comunidade, em uma área que cada vez mais demanda esse tipo de atenção, principalmente para a saúde mental dessas jovens mães, que muitas vezes não se sentem preparadas para esse momento tão importante em suas vidas”, salienta o diretor-geral da UniFAJ, professor Flávio Pacetta.
Primeiros Laços chega para gestantes de Jaguariúna
A cidade de Jaguariúna é a segunda cidade da RMC a receber o programa Primeiros Laços. Em julho do ano passado, a ação foi iniciada em Indaiatuba, a partir da parceria entre CISM, o Centro Universitário Max Planck (UniMAX) e a Secretaria da Saúde do Município.
Em Indaiatuba, o Primeiros Laços já realizou 231 visitas domiciliares a jovens gestantes. Atualmente são atendidas 45 participantes ativas -, sendo 25 do grupo de intervenção (que recebem a visita das enfermeiras) e 20 do grupo de controle (que não recebem visita). Houve o acompanhamento ainda de 24 bebês (16 intervenções e 8 controles) e quatro avaliações de desenvolvimento infantil foram realizadas em bebês que já têm 6 meses de vida. Também já foram aplicadas 106 baterias de testes emocionais.
O ‘Primeiros Laços’ surgiu a partir da compreensão de que a gestação em idades precoces é um fator de risco psicossocial importante para o desenvolvimento da criança e da mãe. A primeira ‘onda’ aconteceu na cidade de São Paulo e foi concluída em 2018. Os resultados coletados no período tiveram publicações em revistas científicas e indicaram melhora, em relação à maternidade, entre as participantes que receberam a intervenção das visitas domiciliares das enfermeiras – saiba mais neste estudo.
Dados anteriores coletados pelos pesquisadores comprovaram o efeito do programa sobre importantes domínios do desenvolvimento infantil, como a linguagem expressiva e a motricidade grossa. As mães passaram, por exemplo, a desenvolver o hábito de contar histórias ou cantar para a criança, e seus filhos estabeleceram uma relação de maior confiança com elas. Aos 2 anos, também já se expressavam melhor, apontando objetos e falando.
A pesquisadora do CISM, Lislaine Aparecida Fracolli, explicou que o programa é inspirado em um modelo americano, o Family Nursing Partnership, que resultou na melhora do ‘capital humano’ dos participantes.
“As crianças submetidas ao programa tiveram melhores habilidades cognitivas e sociais, prontidão e desenvolvimento linguístico”, destaca a também professora da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP). Em sua apresentação no evento de lançamento, Lislaine comentou sobre a importância do programa para a fase da primeira infância.
Como reconhecimento de seu potencial e efetividade, o ‘Primeiros Laços’ venceu o prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica, na categoria ‘Inovação em Medicina Social’, em 2018. A honraria busca descobrir, reconhecer e valorizar profissionais e instituições que fazem a diferença nas ciências médicas e nas boas práticas de saúde no país.