O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas (SP), homologou nesta terça-feira (27) um acordo entre o influenciador digital Peter Liu e a mulher que o acusou de ter sido mantida em condições análogas à escravidão por 30 anos. O influenciador acumula mais de 953 mil seguidores no Instagram, e se apresenta como especialista em acupuntura e medicina chinesa de Campinas.
A conciliação inclui o pagamento de R$ 700 mil em verbas trabalhistas e a anotação formal do vínculo empregatício na carteira da ex-empregada.
A decisão partiu do Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc), que expediu intimação às partes após a conclusão do termo. A relatora responsável acolheu o ajuste entre a família Liu e a trabalhadora, encerrando a disputa na esfera judicial.
Valores e obrigações reconhecidas
De acordo com os autos, o valor acordado ficou abaixo da sentença de primeira instância, que havia determinado o pagamento de aproximadamente R$ 1,2 milhão. Além das obrigações pecuniárias, o juiz da 10ª Vara do Trabalho de Campinas, Caio Rodrigues Martins Passos, havia estabelecido a anotação do contrato de trabalho, a expedição das guias de seguro-desemprego e o reconhecimento do vínculo entre abril de 1992 e agosto de 2022.
A redação não localizou a defesa de Peter Liu, deixando o espaço aberto para eventuais réplicas.
Contexto e denúncia anterior
A condenação inicial teve como base relatos da ex-empregada, que descreveu ter sido contratada para cuidar do filho do casal Peter e Jane Liu, mas acabou permanecendo à disposição da família por três décadas, sem salário, registro formal ou descanso.
Segundo a ação, ela dormia em um sofá e, posteriormente, em uma maca de clínica, local que funcionava de modo informal e sem alvará. Os alimentos que consumia eram, em parte, doados por pacientes.
Com a homologação do acordo, o caso é encerrado na Justiça do Trabalho.