Uma operação do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público, em conjunto com a Polícia Militar de Piracicaba, desmantelou um sofisticado esquema de tráfico de armas com base em Americana, no interior de São Paulo. A ação resultou na apreensão de 183 armas de fogo, nesta quinta-feira (21), encontradas em um bunker secreto, localizado dentro de uma loja que também funcionava como estande de tiro.
A operação, conduzida pela Polícia Militar e pelo GAECO, contou com o apoio da Polícia Federal e do Exército Brasileiro, e teve como alvo o filho do empresário Eduardo Bazzana, que já havia sido preso em maio deste ano, sob acusações semelhantes.

Os policiais encontraram inicialmente duas armas na residência do suspeito. No entanto, o principal foco da operação estava em um imóvel comercial, no bairro Santa Sofia, que já havia sido alvo de outra ação em maio, desencadeada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, na qual mais de 570 armas foram apreendidas. No local os agentes localizaram o arsenal oculto em um compartimento secreto, numa estrutura classificada como “bunker” pelos investigadores.
Entre os itens apreendidos estão fuzis, pistolas, espingardas, carabinas e revólveres, muitos deles com numeração raspada, sem registro, ou registrados em nome de pessoas já presas — incluindo o próprio Eduardo Bazzana. A investigação aponta que o armamento seria distribuído para organizações criminosas, como o Comando Vermelho, que atua no Rio de Janeiro.
Segundo as autoridades, o esquema era altamente organizado, com uso de documentação falsificada e de empresas legalmente constituídas para acobertar a atividade ilegal. O local possuía uma estrutura de estande de tiro aparentemente funcional, mas operava como ponto de armazenamento e distribuição clandestina de armas.
O suspeito foi detido e deverá responder por crimes como posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, tráfico de armas e associação criminosa. As investigações continuam em andamento, com o objetivo de identificar outros envolvidos e mapear uma possível rede de distribuição interestadual.
Ligação com o Comando Vermelho
As investigações indicam que as armas eram destinadas ao Comando Vermelho, facção criminosa com forte atuação no Rio de Janeiro. Há indícios de que grande parte do material não seja legalizado, o que reforça a suspeita de um esquema estruturado para abastecimento de grupos criminosos em diferentes regiões do país.