Você já passou por uma blitze e se perguntou ‘e se eu me recusar a fazer o bafômetro?’. Bem, recusar-se a fazer o teste de alcoolemia foi a infração mais registrada durante as blitze integradas de trânsito em Campinas no mês de janeiro, segundo balanço da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
Das 712 condutas de risco identificadas nas 23 operações realizadas, 124 foram recusas ao uso do etilômetro — o equivalente a 17,4% do total.
As autuações ocorreram em ações conjuntas da Emdec com a Guarda Municipal (GCM), por meio das quatro edições da Operação pela Vida, e em três Operações Direção Segura Integradas (ODSI), lideradas pela Polícia Militar com apoio da Emdec. Em todas, a abordagem incluiu testes específicos para detecção de alcoolemia.
- O que diz a lei: — A legislação classifica tanto a recusa quanto a condução sob efeito de álcool como infrações gravíssimas, com multa multiplicada por dez (R$ 2.934,70) e suspensão da CNH por 12 meses. Em casos com teor alcoólico igual ou superior a 0,34 mg/L, o condutor pode responder criminalmente, com pena de seis meses a três anos de detenção, além de multa e proibição de dirigir.
Durante as operações, 2.131 veículos foram fiscalizados — sendo 1.218 carros e 913 motocicletas. Houve também remoção de 139 veículos em situações de irregularidade com base na legislação vigente, incluindo 86 motocicletas e 51 automóveis.

Recusa supera licenciamento
A recusa ao teste com bafômetro superou outras condutas que tradicionalmente ocupavam as primeiras posições nos registros de risco, como licenciamento vencido e escapamento inoperante ou sem silenciador. O dado ganha relevo porque os testes são aplicados apenas em operações específicas da Emdec e da PM.
Ao todo, as dez principais infrações somaram 559 autuações — mais de 78% do total. Entre elas, destacam-se:
- 80 casos de licenciamento irregular (11,2%);
- 71 infrações por escapamento defeituoso (9,9%);
- 45 registros tanto de ausência de habilitação quanto de sistema de iluminação alterado (6,3% cada)
Operações aplicaram mais de 3 mil testes de alcoolemia
Somente nas quatro edições da Operação pela Vida de janeiro, foram 1.200 testes de bafômetro realizados: 932 em condutores de automóveis, 266 em motociclistas e dois em motoristas de outras categorias. Essas ações resultaram em 82 autuações, sendo 81 por recusa ao teste e uma por constatação de embriaguez — uma motorista com 0,42 mg/L de álcool no sangue foi conduzida ao Distrito Policial.
As três ODSI’s realizadas em janeiro aplicaram 2.200 testes (1.900 em carros, 309 em motos e dois em outros veículos), gerando 44 autuações — 43 por recusa e uma por embriaguez ao volante.

Álcool segue como principal causa de mortes
Desde a implementação da Operação Pela Vida, sete edições já foram realizadas. No total, 2.200 testes foram aplicados e 91 autuações registradas (88 por recusa e três por embriaguez).
Segundo dados consolidados pela Emdec, o álcool foi responsável por 15 sinistros fatais apenas em janeiro de 2025 — o equivalente a 35% dos 43 casos analisados no período.
O fator continua à frente de outras causas, como o excesso de velocidade, e se manteve como o maior vetor de risco viário também em 2024, quando foi apontado em 51 dos 134 sinistros com óbitos. Desde 2020, 274 mortes no trânsito em Campinas envolveram a ingestão de álcool pelo condutor.