Entre janeiro e fevereiro, foram contabilizados 49 estupros nas cidades de Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia. Desse total, 37 ocorrências foram classificadas como estupro de vulnerável, o que representa 75,5% dos registros. Os dados foram divulgados na última semana pela SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo). Na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registrados 26 casos contra pessoas vulneráveis, houve aumento de 42,3%. Considerando todos os tipos de estupro, o total de ocorrências também cresceu: foram 15 casos a mais nos dois primeiros meses de 2026.
Entre as cidades da região, Hortolândia concentrou o maior número de registros em 2026, com 24 casos de estupro, sendo 18 envolvendo vítimas vulneráveis. Em Sumaré, foram 11 ocorrências no total, das quais nove se enquadram nessa categoria. Nas demais cidades, Americana registrou nove casos de estupro, sendo seis contra pessoas vulneráveis. Santa Bárbara d’Oeste teve quatro registros, três deles classificados como estupro de vulnerável. Já em Nova Odessa houve apenas um caso, também envolvendo vítima em situação de vulnerabilidade.
“Em geral são crianças e adolescentes que não têm condições de elas mesmas procurar a polícia e, na maioria dos casos, não são elas que procuram. Quando ocorre no seio familiar, como a maioria dos casos, são pessoas conhecidas, da família, que praticam o abuso. Se há conivência de alguém ou se a criança não tem coragem de contar para um responsável, isso nunca vai chegar nas autoridades”, declarou a delegada Nathália Alves Cabral, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Sumaré para o jornal Liberal.
Pela legislação brasileira, o estupro de vulnerável é caracterizado quando há relação sexual ou ato libidinoso com pessoas que não possuem condições de consentir, como menores de 14 anos ou indivíduos que, por algum tipo de incapacidade, não conseguem oferecer resistência.
A delegada ressaltou que é fundamental que familiares levem a sério o relato das vítimas. Nesses casos, a orientação é procurar apoio profissional, levando a criança a um psicólogo, hospital ou delegacia para que o atendimento adequado seja realizado e a denúncia possa chegar às autoridades competentes.
“É muito importante a família acreditar no que as crianças e os adolescentes falam. A gente vê muito caso em que a família descredibiliza, às vezes porque a criança mentiu que estava doente para não ir na escola. O fato da criança ter mentido com relação a isso não significa que ela vá mentir com relação a algo tão grave quanto um crime sexual”, disse Nathália.
Ela também alerta para que as famílias não depositem confiança irrestrita em outras pessoas, já que, segundo a delegada, muitos abusos são cometidos por indivíduos próximos. Além disso, é importante orientar crianças e adolescentes a não confiar em qualquer adulto que tente se aproximar oferecendo doces ou brincadeiras, por exemplo.