O Centro de Pesquisa em Engenharia SMARTNESS 2030 inaugurou nesta terça-feira (3), em Campinas, o Studio 5G (SS5G), novo espaço voltado à experimentação de tecnologias de conectividade de próxima geração. A estrutura, sediada na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp, marca inclusive a transição do centro para uma fase de validação prática das redes 5G e 6G.
A cerimônia foi realizada na Sala da Congregação da FEEC e contou com demonstrações imersivas e interativas de aplicações desenvolvidas no ambiente do SS5G, que une redes móveis, computação de borda, inteligência artificial e soluções de rede programável.
Vinculado ao laboratório LEMAC, o espaço também funcionará como plataforma de capacitação técnica e cocriação entre academia, empresas e sociedade civil.

A nova instalação opera com base na rede privativa Ericsson Private 5G (EP5G), abrigando um ambiente seguro e controlado para o desenvolvimento de aplicações críticas em áreas como Internet das Coisas (IoT), automação industrial, redes autônomas e inteligência distribuída.
Para a vice-diretora do SMARTNESS, Maria Valéria Marquezini, o novo laboratório “marca o início de uma nova fase para o Centro”, que agora poderá “experimentar e validar, na prática, conceitos avançados das futuras redes de comunicação”.
Além da Ericsson, que também atua como financiadora do SMARTNESS junto à FAPESP, a implementação do Studio 5G contou com apoio técnico da NEC, responsável por integrar as soluções de rede de ponta.
Infraestrutura e pesquisa aplicada
O investimento total do Centro já ultrapassa os R$ 56 milhões, com foco na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias para redes móveis inteligentes até 2030. Desde sua criação, o SMARTNESS atua como vetor de formação técnica e inovação aplicada, desenvolvendo projetos que conectam universidades, setor produtivo e organismos públicos em torno de soluções voltadas ao futuro das telecomunicações.
“A capilaridade do SMARTNESS abrange desde instituições de pesquisa até a indústria, o que permite que a minha pesquisa tenha maior solidez a cada visão de distintos profissionais”, afirmou o doutorando Arthur Simas, que desenvolve estudos em computação neuromórfica no Centro.
Para o gerente de Transferência de Tecnologia e Inovação, Eduardo Sartori, o laboratório representa “um importante elo entre a academia e o setor tecnológico de telecomunicações, abrindo oportunidades para os mais diversos formatos de parcerias universidade-empresa”.
Estratégia nacional e futuro do 6G
Com linhas de pesquisa em temas como automação industrial, redes cognitivas, IA distribuída e computação em borda, o SMARTNESS atua na vanguarda da preparação do país para a era 6G. Segundo seus coordenadores, a missão do centro inclui não apenas o avanço técnico, mas o fortalecimento da soberania científica do Brasil na construção de tecnologias próprias e na superação da dependência estrutural de soluções externas.
O diretor do SMARTNESS, professor Christian Esteve Rothenberg, destaca que a conectividade de última geração deve ser tratada como infraestrutura estratégica, capaz de moldar cidades, economias e modos de vida.
Do 1G ao 6G
A cada década, uma nova geração de redes móveis redefiniu a comunicação global. A rede 1G surgiu nos anos 1980 com chamadas de voz analógicas; a 2G, nos anos 1990, introduziu os primeiros SMS e dados digitais. Em 2000, o 3G viabilizou o uso da internet no celular, seguido pelo 4G em 2010, que revolucionou o consumo de vídeos e aplicativos com velocidades acima de 100 Mbps.
O 5G, implementado em 2020, opera com taxas que chegam a 20 Gbps e capacidade de navegação em alta velocidade, até mesmo em trens-bala. Já o 6G, previsto para 2030, deverá atingir 1 terabit por segundo, permitindo baixar mais de 150 filmes 4K em 30 segundos, segundo projeções internacionais.