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Veículo usado por criminosos para matar ex-delegado era roubado e tinha registro em Indaiatuba

O carro, modelo Toyota Hilux, foi completamente incendiado a cerca de dois quilômetros do local do crime

O carro utilizado pelos criminosos no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, era roubado e possuía registro na cidade de Indaiatuba, no interior do estado. O caso aconteceu por volta das 18h desta segunda-feira (15), no bairro Nova Mirim.

Poucas horas após a execução, a Polícia Civil encontrou o veículo usado pelos criminosos, que foi completamente incendiado a cerca de dois quilômetros do local do crime. A principal suspeita é de que o incêndio tenha sido provocado para obstruir provas, como impressões digitais e vestígios biológicos.

Além do carro incendiado, um segundo veículo foi encontrado, contendo carregadores de fuzil e munições. A perícia trabalha para determinar se esse automóvel teve papel de apoio na execução ou se está ligado a outras operações criminosas na Baixada Santista.

Carro foi incendiado após crime – Foto/reprodução: Praia Grande Mil Grau

A execução gerou alerta nas corporações policiais e motivou uma força-tarefa, composta por equipes do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc) e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO).

Ex-delegado Ruy Ferraz Fontes é assassinado em Praia Grande

Imagens obtidas pela reportagem mostram o momento exato em que o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes é perseguido por um carro com quatro criminosos. A fuga termina quando o veículo de Fontes colide com um ônibus e capota.

De acordo com a Polícia Militar (PM), é possível que Fontes tenha sido baleado durante a perseguição em alta velocidade, o que pode ter provocado a perda de controle do veículo e o subsequente acidente.

Então secretário de Administração de Praia Grande e licenciado da Polícia Civil, Fontes foi executado a tiros de fuzil após o capotamento. Ao menos dois pedestres – uma mulher e um homem – também ficaram feridos durante o ataque. O crime é investigado como uma execução premeditada.

Criminosos mascarados atiraram e fugiram

Imagens de câmeras de monitoramento mostram que, após o capotamento, o carro dos criminosos parou a tempo de evitar colisão com um dos ônibus. Três homens, mascarados e armados, desceram do veículo: um deu cobertura, enquanto os outros dois avançaram em direção ao carro de Fontes.

Armados com fuzis de uso restrito, os criminosos dispararam contra a vítima, atingindo diversas partes do corpo. Segundo o delegado-geral Artur Dian, foram mais de 20 tiros, a maioria concentrada nos membros e no abdômen.

“Foi uma execução com um objetivo claro: eliminar a vítima rapidamente”, afirmou.

Após os disparos, os criminosos retornaram ao veículo e fugiram em questão de segundos. Com as portas abertas, a ação foi tão rápida e coordenada que dificultou a identificação dos responsáveis.

Posicionamentos

A morte de Fontes provocou forte comoção entre colegas de profissão, autoridades e representantes de entidades ligadas à segurança. Em nota, a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Brasil classificou o crime como uma tragédia de “proporções inenarráveis” e afirmou que o delegado “caiu como um guerreiro em defesa da sociedade”.

A Prefeitura de Praia Grande também emitiu comunicado lamentando a perda e reforçando que a atuação de Fontes foi marcada pelo compromisso com a legalidade:

“Dr. Ruy foi um servidor público exemplar e um profissional incansável na busca por justiça”, diz a nota.

Já o secretário da Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite, foi informado diretamente pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, de que o GAECO acompanhará de perto as investigações.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também publicou uma nota nas redes sociais lamentando a morte do delegado aposentado e enaltecendo sua atuação como um dos pioneiros nas investigações contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).


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Autor

  • Camila Borges dos Santos

    Jornalista formada pela Universidade Paulista em 2023, com experiência em apuração, produção de pautas, apresentação e cobertura de matérias jornalísticas em diferentes formatos.

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