A Câmara Municipal de Campinas abriu, nesta quarta-feira (19), uma Comissão Processante (CP) para apurar possível quebra de decoro parlamentar cometida pelo vereador Otto Alejandro (PL) investigado por acusações de violência doméstica, ameaça, injúria e dano.
A denúncia lida em plenário menciona o registro de um boletim de ocorrência feito pela namorada do parlamentar e aponta ainda a suspeita de que o investigado teria danificado o vidro traseiro de um ônibus no centro da cidade.
O parlamentar é alvo de outras duas apurações na Polícia Civil, que envolvem supostos episódios de abuso de autoridade e ameaças. Em um dos casos, registrado em março de 2025, imagens mostram o investigado discutindo com guardas municipais em um estabelecimento comercial, afirmando que eles “iam perder o emprego”. A corporação confirmou que os agentes relataram ter sido desacatados e segundo apuração do VTVNews, essa ocorrência foi encaminhada ao Ministério Público.
Além desses episódios, Otto também foi flagrado insultando e possivelmente ameaçando uma porteira em Campinas, que trabalhava no prédio onde sua ex-companheira residia (confira abaixo)
Abertura da Comissão
O pedido para instaurar a Comissão foi aprovado por 29 votos favoráveis, de forma unânime entre os presentes. Otto não participou da sessão.
Para compor a CP, foram sorteados os vereadores Eduardo Magoga (Podemos), Fernanda Souto (PSOL) e Guilherme Teixeira (PL). A definição dos cargos gerou contestação de vereadoras da Casa, e a reunião chegou a ser suspensa por dez minutos. Após debate interno, ficou estabelecida a seguinte formação:
- Fernanda Souto (PSOL) – presidente
- Eduardo Magoga (Podemos) – relator
- Guilherme Teixeira (PL)
De acordo com a legislação, a presidência notificará o denunciado, que terá dez dias para apresentar defesa prévia. Na sequência, a Comissão dispõe de cinco dias para elaborar um parecer, opinando pelo prosseguimento ou arquivamento. Caso o relatório recomende o avanço da denúncia, inicia-se a fase de instrução, com diligências, oitivas e coleta de depoimentos.
A CP terá prazo inicial de 90 dias para apurar os fatos e emitir relatório final, que pode sugerir desde o arquivamento até a cassação do mandato. Para que a cassação seja efetivamente aprovada, é necessário o apoio de 2/3 dos 33 vereadores.
Votação em plenário
O documento foi lido integralmente antes da votação, que registrou 29 votos favoráveis e nenhum contrário. Votaram a favor:
- Ailton da Farmácia (PSB)
- Arnaldo Salvetti (MDB)
- Benê Lima (PL)
- Carlinhos Camelô (PSB)
- Debora Palermo (PL)
- Dr. Yanko (PP)
- Edison Ribeiro (União)
- Eduardo Magoga (Podemos)
- Fernanda Souto (PSOL)
- Filipe Marchesi (PSB)
- Guida Calixto (PT)
- Guilherme Teixeira (PL)
- Gustavo Petta (PCdoB)
- Hebert Ganem (Podemos)
- Higor Diego (Republicanos)
- Luis Yabiku (Republicanos)
- Mariana Conti (PSOL)
- Marrom Cunha (MDB)
- Mineiro do Espetinho (Podemos)
- Nelson Hossri (PSD)
- Nick Schneider (PL)
- Paolla Miguel (PT)
- Paulo Haddad (PSD)
- Permínio Monteiro (PSB)
- Roberto Alves (Republicanos)
- Rodrigo Farmadic (União)
- Rubens Gás (PSB)
- Vini Oliveira (Cidadania)
- Wagner Romão (PT)