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Violência doméstica segue padrão em três fases; saiba como identificar o ciclo

Ceamo oferece apoio psicológico e orientação jurídica para mulheres em situação de violência em Campinas
Violência Doméstica

No Brasil, a Justiça julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia em 2025, sendo um aumento de 17% em relação ao ano anterior. O cenário nacional acendeu o alerta também em Campinas, onde o crescimento recente de agressões contra mulheres e de registros de feminicídio mobiliza a Prefeitura a reforçar orientações sobre como identificar os sinais do chamado ciclo da violência doméstica.

No município, profissionais da Secretaria de Políticas para as Mulheres alertam que a violência raramente começa de forma abrupta e costuma seguir um padrão dividido em três fases.

De acordo com a assistente social do Centro de Referência e Apoio à Mulher (Ceamo) de Campinas, Soraia Oliveira, a agressão física geralmente ocorre após outros tipos de violência já estarem presentes na relação.

“Muitas vezes, a mulher está há anos sofrendo algum tipo de violência, mas não identifica como violência e sim como parte do relacionamento. É preciso reforçar que agressividade não é parte da natureza de ninguém. Atribuir tal característica aos homens reforça estereótipos de gênero que contribuem para a naturalização da violência nas relações íntimas de afeto. Identificar e nomear essa situação é o primeiro passo para romper o ciclo”, afirmou.

As três fases do ciclo de violência doméstica

Fase 1 – Tensão

O agressor apresenta irritação constante, acessos de raiva, humilhações e ameaças. A mulher tende a minimizar os fatos, evitar conflitos e, muitas vezes, se culpa pelo comportamento do parceiro. Essa etapa pode durar dias ou até anos. 

Fase 2 – Explosão

Ocorre a agressão, que pode ser verbal, psicológica, moral, patrimonial ou física. A vítima tem consciência do risco, mas pode ficar paralisada diante da situação. Algumas mulheres, nesse momento, buscam ajuda ou apoio de familiares e amigos. 

Fase 3 – Arrependimento e “lua de mel”

Após a agressão, o autor demonstra arrependimento, promete mudar e adota comportamento afetuoso. A mulher pode desistir de medidas protetivas e acreditar que a situação será diferente. Com o passar do tempo, essa fase tende a diminuir ou desaparecer, mantendo o ciclo entre tensão e explosão.

Segundo a assistente social, a escalada da violência pode atingir não apenas a mulher, mas também familiares vulneráveis e até animais de estimação.

Equipamento municipal em Campinas é referência no acolhimento e orientação a mulheres em situação de violência (Imagem: Divulgação/ Prefeitura de Campinas)

Atendimento em Campinas

Em Campinas, mulheres em situação de violência contam com o apoio do Ceamo, equipamento municipal que oferece atendimento psicossocial, orientação jurídica e atividades em grupo. O trabalho tem como foco o fortalecimento emocional das usuárias e o rompimento do ciclo da violência.

Somente em 2025, o Centro realizou 2.103 atendimentos, um aumento de 26,8% em relação a 2024, quando 1.659 mulheres foram acolhidas.

Os atendimentos individuais são conduzidos por psicólogas e assistentes sociais, com foco no reconhecimento de direitos e no fortalecimento da autonomia. Já os encontros em grupo promovem troca de experiências e discussões sobre autoconfiança e as diferentes formas de violência.

O Ceamo está localizado na Rua Onze de Agosto, 412, no Centro. O atendimento pode ser buscado diretamente no local, pelo telefone (19) 3735-9499 ou pelo e-mail [email protected].


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Autor

  • Pietra Mesquita

    Jornalista formada pela PUC-Campinas, com experiência em produção de conteúdo, redação, redes sociais e atuação jornalística multiplataforma. Interessada por cinema, entretenimento e cultura digital.

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