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“Vou matar ela”: jovem umbandista fala sobre o ataque sofrido em Mogi Mirim

Investigação apura se crime teve motivação religiosa após pichação e ameaças anteriores; veja o relato da vítima
"Vai pro inferno": o que se sabe sobre o ataque a jovem umbandista em Mogi Mirim?

Miryan de Oliveira de 19 anos, relatou detalhes sobre o ataque dentro de casa na madrugada de quinta-feira (13), no bairro Aterrado, em Mogi Mirim (SP). Um casal de vizinhos foi preso em flagrante por tentativa de homicídio, e a Polícia Civil apura se o ataque teve motivação religiosa, já que a vítima se identifica como umbandista e relatou desavenças anteriores ligadas à fé.

Em entrevista ao VTV da Gente, Miryan contou que percebeu barulhos nos fundos da residência e, ao verificar, encontrou os suspeitos já dentro do quintal. Segundo ela, tudo foi “articulado”. Disse que os dois retiraram a lâmpada externa para agir no escuro e a aguardavam silenciosamente.

Ela relatou que o homem a segurou por trás enquanto a companheira avançou com uma lâmina semelhante a uma adaga. “Eles diziam ‘segura, segura, vou matar ela’”, afirmou. A jovem contou ter visto um brilho na mão da agressora e chegou a pensar que fosse uma arma de fogo, antes de ser atingida por golpes que acertaram o tórax. A facada perfurou o pulmão, provocando sangramento intenso.

Miryan disse ainda que os suspeitos usavam máscara e tentaram impedir que ela gritasse, mas conseguiu correr para a parte da frente da casa e pedir ajuda. A vizinha Stefany Cristina relatou nas redes sociais que foi a única pessoa a socorrê-la: “Ela olhou dentro dos meus olhos e pediu pra mim não deixar ela morrer”.

A jovem passará por tratamento por causa do dreno na região abdominal, e deve passar por cirurgia no dia 26.

Carta de sangue foi enviada ao endereço da Miryan (Foto: Arquivo pessoal)

Indícios de intolerância religiosa

Miryan afirmou que o casal demonstrava incômodo com sua religião desde que se mudou para a casa. Segundo ela, houve episódios de xingamentos, palavras ofensivas e até pichação no muro com os dizeres “Macumbeira, saia, vai pro inferno” — registro que foi fotografado e encaminhado à perícia. Ela também afirmou que os vizinhos mantinham a câmera de segurança voltada para sua sala, o que elevou as suspeitas.

Vivemos em um país laico. O mínimo é respeitar o vizinho e o meu axé”, declarou.

A parede da casa da vítima foi pichada com ofensas (Foto: Arquivo pessoal)

Confissão, arma e prisão

No depoimento, o homem, de 54 anos, confessou que invadiu o imóvel utilizando uma escada e cometeu o ataque com a companheira, de 39. Ele indicou aos policiais onde escondeu a faca e as roupas usadas na noite do crime. Os objetos foram apreendidos na residência. A mulher negou participação.

A delegada responsável pela Delegacia Seccional de Mogi Guaçu confirmou a prisão em flagrante dos dois, que seguem detidos e à disposição da Justiça.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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