O vereador Welington Domingos Pereira, o Welington da Farmácia (MDB), ex-secretário de Planejamento de Sumaré (SP) foi condenado nesta terça-feira (3) a oito anos e três meses de prisão em regime fechado por corrupção passiva. A pena implica na perda do mandato eletivo e pagamento de 170 dias-multa, fixados em três salários mínimos por dia. A decisão é da 2ª Vara Criminal do município. O réu poderá recorrer em liberdade.
Procurado, o vereador não quis comentar sobre o caso.
A condenação inclui ainda a perda de valores apreendidos em espécie, sob o fundamento de que a origem lícita não foi comprovada nos autos — entre eles, cerca de R$ 100 mil escondidos em uma mochila escolar.
Embora tenha sido absolvido da acusação de corrupção em um dos episódios denunciados, o parlamentar foi considerado culpado por solicitação de vantagem indevida em outro caso.
Pedido de imóveis em troca de alvarás
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o então secretário de Planejamento teria cobrado apartamentos de empresários em troca da liberação de alvarás para construções na cidade. As solicitações teriam ocorrido em 2018 e 2019, durante o exercício do cargo.
“Em alegações finais, o Ministério Público do Estado de São Paulo postulou pela procedência da pretensão punitiva do Estado. Destacou que, no curso da instrução, resultaram comprovadas a materialidade e a autoria dos delitos imputados ao réu Welington Domingos Pereira, então Secretário Municipal de Planejamento de Sumaré, o qual teria solicitado vantagem indevida por duas vezes em razão do cargo público exercido, o que configura dois delitos de corrupção passiva, ambos em concurso materialidade crimes”, argumentou nos autos.

A apuração foi inicialmente conduzida por dois núcleos: a Promotoria de Justiça de Sumaré e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas. Após a fase preliminar, o inquérito foi centralizado no Gaeco.
Segundo os autos, com base nas investigações, a Justiça autorizou quatro mandados de busca e apreensão, incluindo dois endereços ligados diretamente à prefeitura — um na própria Secretaria de Planejamento e outro na de Obras. Nessas repartições, nenhuma prova foi recolhida.
Dinheiro escondido em mochilas infantis
As diligências mais significativas ocorreram na residência e no comércio do vereador, onde foram localizados R$ 157 mil em espécie — R$ 95 mil na casa e o restante na farmácia de sua propriedade. Na época, o Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) prestou apoio à operação.
Durante o cumprimento do mandado, promotores relataram que o investigado tentou esconder parte do dinheiro dentro de mochilas escolares, no momento em que as crianças da família se preparavam para sair. Além do valor em espécie, os agentes apreenderam documentos, computadores e pen drives.
Welington da Farmácia foi eleito vereador em 2024. A sentença de primeiro grau estabelece a perda automática do mandato, mas ainda não há trânsito em julgado.
A Câmara Municipal de Sumaré informou que não foi cientificada formalmente sobre o caso pelo Judiciário.