Brasil e Japão voltam a se enfrentar na Copa do Mundo de 2026. No entanto, a ligação entre os dois países vai muito além das quatro linhas. Antes de se consolidar como uma das principais seleções da Ásia, o futebol japonês passou por uma verdadeira transformação com a ajuda de profissionais brasileiros. Desde a criação da J-League, no início da década de 1990, até o desenvolvimento da seleção nacional, nomes como Zico, Dunga, Leonardo, Bebeto e diversos treinadores deixaram um legado que permanece vivo até hoje.
Zico liderou a maior revolução do futebol japonês
A mudança começou em 1991. Naquele ano, Zico aceitou o desafio de atuar pelo Kashima Antlers. Na época, o futebol japonês ainda era amador e buscava ganhar espaço entre os esportes mais populares do país.
Desde o início, o ex-camisa 10 levou profissionalismo e uma nova mentalidade competitiva. Além disso, ajudou a elevar o nível técnico do clube. Como consequência, tornou-se uma das figuras centrais da profissionalização do futebol japonês.
Pouco tempo depois, em 1993, nasceu a J-League. A nova liga marcou o início de uma era moderna no país. Dessa forma, o campeonato passou a atrair investimentos, torcida e jogadores de alto nível.
Ao mesmo tempo, outros brasileiros também chegaram ao Japão. Dunga, Leonardo e Bebeto, por exemplo, defenderam clubes japoneses e contribuíram para aumentar a qualidade técnica da competição. Além disso, dividiram experiência com atletas locais e aceleraram o crescimento do futebol no país.
Posteriormente, alguns brasileiros chegaram até mesmo à seleção japonesa. Wagner Lopes foi o primeiro naturalizado a defender os Samurais Azuis. Depois dele, Alex Santos e Túlio Tanaka também vestiram a camisa da equipe nacional. Assim, o Japão ganhou experiência internacional e fortaleceu seu elenco.

O legado brasileiro segue presente na seleção japonesa
A influência brasileira não ficou restrita aos clubes. Em 2002, Zico assumiu o comando da seleção japonesa. A partir daquele momento, implantou um estilo de jogo mais ofensivo e valorizou a criatividade dos jogadores.
Além disso, conquistou a Copa da Ásia de 2004 e classificou o Japão para a Copa do Mundo de 2006. Durante sua passagem, comandou a equipe em 64 partidas. Ao todo, foram 36 vitórias, 13 empates e 15 derrotas, com aproximadamente 63% de aproveitamento.
Embora o Japão tenha sido eliminado ainda na fase de grupos da Copa de 2006, o trabalho deixou marcas importantes. Depois daquela experiência, a seleção manteve a filosofia de desenvolvimento e continuou investindo na formação de atletas.
Com o passar dos anos, o país ampliou os investimentos em infraestrutura, categorias de base e capacitação de profissionais. Como resultado, os clubes ficaram mais fortes e passaram a revelar jogadores capazes de atuar nas principais ligas da Europa.
Hoje, o Japão é uma referência no futebol asiático. Além disso, disputa Copas do Mundo com frequência e costuma brigar por vagas nas fases eliminatórias.
Agora, o destino coloca novamente Brasil e Japão frente a frente nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Dessa vez, porém, o confronto também representa o encontro entre duas escolas que construíram uma relação histórica. Afinal, parte importante da evolução do futebol japonês nasceu graças ao conhecimento, à experiência e ao legado deixados pelos brasileiros ao longo das últimas três décadas.
Brasileiros que marcaram época no futebol japonês
- Zico — liderou a profissionalização do futebol japonês e comandou a seleção entre 2002 e 2006;
- Dunga — foi um dos primeiros campeões mundiais brasileiros a atuar na J-League;
- Leonardo — contribuiu para elevar o nível técnico do campeonato japonês;
- Bebeto — ajudou a fortalecer a imagem da liga japonesa;
- Wagner Lopes — primeiro brasileiro naturalizado a defender a seleção japonesa;
- Alex Santos — destaque dos Samurais Azuis nas Copas de 2002 e 2006;
- Túlio Tanaka — zagueiro brasileiro naturalizado que também representou o Japão em torneios internacionais.