Após um jogo truncado entre França e Paraguai pelas oitavas de final da Copa do Mundo, que resultou na eliminação do país sul-americano, as provocações que marcaram a partida, principalmente quando se tratava de Kylian Mbappé, chegaram aos bastidores políticos. A senadora paraguaia Celeste Amarilla tomou as dores de sua seleção e atacou o camisa 10 com insultos racistas e xenofóbicos.
A política utilizou as redes sociais após a derrota para dizer que o atacante era um “Camaronês colonizado, bancando ser durão e fingindo ser francês, ressentido, novo rico, prepotente e feio”.
O comentário da senadora não se limitou apenas a questionar a nacionalidade do jogador, mas também insinuou uma possível agressão após o final da partida.
Estrela da Seleção Francesa, Kyllian nasceu na capital Paris, em 1998, e foi criado na periferia pelo pai camaronês e pela mãe franco-argelina.
“A única coisa que muitos cobramos da Albirroja [Paraguai] é não ter dado um tapa de mão aberta nele depois que o jogo acabou”, escreveu ela no X (antigo Twitter).
“O bruto nem sequer aprendeu a escrever, em vez de leite materno mamava em cocos e as coisas mais cultas que ouviu na vida foram chimpanzés. Você deveria ter mostrado o dedo do meio para ele, Orlando Gill, eu faço isso no Senado e não acontece nada”, dizia um dos posts de Celeste, que utilizou o insulto para se referir à situação que ocorreu após o apito final, quando o goleiro paraguaio tentou cumprimentar Mbappé e foi ignorado.
Federação Francesa de Futebol repudiou o ataque
Com o ataque ao jogador francês, a Federação do país se pronunciou em nota, esclarecendo que apoia o capitão da equipe, Kyllian Mbappé, assim como todo o restante do elenco e “todas as vitimas de declarações odiosas”. A instituição de futebol ressaltou que pretende lutar contra o racismo e qualquer forma de discriminação.
A FFF também informou que estava dando andamento a uma denúncia ao Ministério Público.
“As declarações racistas da Senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé são totalmente repugnantes e inaceitáveis. Como se pode proferir um discurso desses? Essas declarações são criminosas e condenáveis. Elas devem ser processadas aqui como em qualquer outro lugar. A FFF está procedendo a uma denúncia ao Ministério Público para fins de persecução judicial”, afirmou a federação.
Mbappé se pronunciou contra os ataques
O jogador não se calou diante dos ataques e, na rede social X, fez questão de responder diretamente à senadora. Ele não poupou palavras e afirmou que a política teria conseguido ofuscar a campanha realizada pela Seleção do Paraguai.
“Madame Celeste Amarilla, Você é uma mulher desprezível e indigna de sua função. Você não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição. Por sua inconsciência e seu racismo descomplexado, o mundo inteiro já esqueceu o percurso e o esforço histórico que seus jogadores realizaram durante esta copa do mundo, dando lugar a uma senhora incompetente que oferece a pior imagem possível de seu país. Eu nunca deixarei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo”, escreveu Kyllian.
Amarilla respondeu o jogador e exigiu desculpas
Em resposta ao pronunciamento de Mbappé, Amarilla publicou uma carta aberta ao jogador, exigindo um pedido de desculpas por ser chamada de “indigna” e de “desprezível”. Ela afirmou que sua crítica era direcionada apenas ao camisa 10 e alegou ter sido vítima de violência de gênero com a resposta publicada pelo atacante.
Na carta, ela também voltou a criticar as falas do francês após a vitória por 1 a 0, quando ele deu entrevista afirmando que eles também sabiam “enfiar a mão na merda”. A fala de Kyllian era referente ao jogo mais faltoso e marcado por entradas duras para neutralizar os jogadores franceses.
Celeste informou, por último, que, caso a estrela francesa não se desculpasse, ela iria processá-lo.
Entidades e governo se manifestaram
O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai se manifestou sobre a polêmica e condenou as falas da senadora. O órgão afirmou que lamenta e rejeita as declarações proferidas por Celeste, ressaltando que a atitude da figura política vai contra os princípios defendidos pelo país. O governo também se solidarizou com todos que foram afetados pela declaração e reafirmou o respeito pelo povo francês.
Gianni Infantino, presidente da FIFA, também se pronunciou e se mostrou contrário aos comentários de Amarilla.
“Condeno inequivocamente os comentários racistas dirigidos a Kylian Mbappé pela senadora paraguaia Celeste Amarilla. Todo o futebol e a sociedade se solidarizam com o capitão da França – precisamos combater o racismo e derrotá-lo juntos”, escreveu Infantino em suas redes sociais.
O representante da FIFA ainda refletiu que o “esporte deve permanecer um espaço inclusivo e seguro para todos e nossos esforços continuam para expulsar o flagelo do racismo do nosso belo jogo e da sociedade”.

