Portugal deixou Houston com mais perguntas do que respostas. Nesta quarta-feira (17), a seleção portuguesa empatou por 1 a 1 com a República Democrática do Congo na estreia da Copa do Mundo de 2026. O resultado, por si só, já foi decepcionante. Entretanto, o que mais chamou atenção foi a incapacidade de criação de uma equipe que possui um dos meios-campos mais talentosos do futebol mundial. Com Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes e Bernardo Silva, Portugal controlou a posse de bola, mas produziu pouco e raramente conseguiu desmontar a defesa africana.
Currículo de elite não se transforma em futebol ofensivo
Poucas seleções chegam ao Mundial com um setor de meio-campo tão qualificado quanto Portugal.
Vitinha e João Neves desembarcaram nos Estados Unidos após conquistarem o segundo título consecutivo da Liga dos Campeões pelo PSG. Além dos troféus, ambos foram protagonistas da equipe francesa durante a campanha europeia e chegaram ao Mundial apontados entre os melhores meio-campistas da atualidade.
Bruno Fernandes também vive o melhor momento da carreira. O capitão do Manchester United foi eleito o melhor jogador da Premier League na temporada 2025/26. Além disso, encerrou o campeonato inglês com 21 assistências, quebrando o recorde histórico de uma única edição da competição e superando marcas que pertenciam a Thierry Henry e Kevin De Bruyne.
Já Bernardo Silva entrou em campo poucas horas depois de ter sua contratação pelo Real Madrid oficializada. O português encerrou uma trajetória vitoriosa no Manchester City, onde se tornou um dos jogadores mais importantes da era Guardiola, acumulando títulos nacionais e continentais.
No papel, portanto, Portugal possui um meio-campo capaz de competir com qualquer seleção do planeta.
Dentro de campo, porém, a história foi completamente diferente.
Posse de bola sem criatividade preocupa Portugal
Apesar da superioridade técnica, Portugal encontrou enorme dificuldade para criar oportunidades claras. A equipe abriu o placar cedo com João Neves, mas não conseguiu transformar o controle da partida em chances de gol.
O problema aparece nos números. Segundo a Reuters, o gol marcado por João Neves representou a única finalização portuguesa na direção da meta durante a partida.
O dado é surpreendente quando analisado ao lado da qualidade dos jogadores envolvidos. Afinal, Vitinha e João Neves se destacam justamente pela capacidade de controlar o ritmo do jogo. Bruno Fernandes construiu sua carreira encontrando passes decisivos. Bernardo Silva, por sua vez, tornou-se referência mundial pela inteligência entre linhas e pela capacidade de criar espaços.
Ainda assim, Portugal apresentou uma circulação lenta da bola e poucas infiltrações. Além disso, raramente acelerou o jogo para explorar os espaços deixados pelo adversário.
Enquanto os portugueses trocavam passes, o Congo defendia com organização e esperava oportunidades para contra-atacar. Como consequência, os africanos cresceram na partida e chegaram ao empate nos acréscimos.
O contraste foi evidente. De um lado estava um meio-campo formado por bicampeões da Champions League, pelo recordista de assistências da Premier League e por um jogador recém-anunciado pelo Real Madrid. Do outro, uma seleção muito mais modesta tecnicamente.
Mesmo assim, foi o Congo que terminou a partida com a sensação de missão cumprida.
Se pretende disputar o título mundial, Portugal precisará encontrar rapidamente soluções para transformar talento individual em produção coletiva. Porque, na estreia, o currículo dos seus meio-campistas foi muito maior do que o futebol apresentado em campo.