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Repertório, artistas e curiosidades do show do Bad Bunny no Super Bowl LX

Espetáculo reuniu casamento, cultura porto-riquenha, artistas e um “God bless America” ampliado, com a citação de todos os países do continente
Repertório, artistas e curiosidades do show do Bad Bunny no Super Bowl LX

Ao som do reggaeton, a América se transformou neste domingo (8), em Santa Clara, Califórnia, quando Bad Bunny levou a cultura latina ao show do intervalo do Super Bowl LX, com uma apresentação histórica marcada por identidade, política e memória.

O cantor porto-riquenho levou o reggaeton ao gramado do Levi’s Stadium e levantou o público em cerca de 13 minutos de show, logo após o fim do primeiro tempo do duelo entre New England Patriots e Seattle Seahawks.

Bad Bunny performa com dançarinos celebrando a cultura latina no show do intervalo do Super Bowl LX.

A apresentação histórica no intervalo do Super Bowl LX foi acompanhada por cerca de 135,4 milhões de espectadores, número que superou a audiência do show de Kendrick Lamar em 2025 e estabeleceu um novo recorde, segundo dados divulgados pela NBC.

Um espetáculo em 13 minutos

O show de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl LX foi intenso, simbólico e cheio de curiosidades que ampliaram o impacto da apresentação.

Um dos momentos mais comentados foi o “casamento” exibido no palco que, na verdade, aconteceu mesmo. Segundo o repórter da ESPN Adam Schefter, o casal havia convidado o cantor para se apresentar na festa, mas a equipe do artista decidiu levar os noivos para o próprio espetáculo, transformando a cerimônia em parte do show.

Bad Bunny em destaque no gramado do Levi's Stadium durante apresentação histórica no Super Bowl LX.
(Imagem: Reprodução/ @NFL)

A encenação seguiu a proposta de retratar o cotidiano latino. O palco ganhou vida com cenas que remetiam às comunidades porto-riquenhas: mulheres fazendo unhas, o barbeiro do bairro, a compra e venda de joias e, na cena do casamento, crianças aprendendo a dançar enquanto outra dormia nas cadeiras, como em qualquer festa de família. Tudo foi pensado para representar vínculos, rotina e pertencimento.

A apresentação começou com “Tití Me Preguntó” e, logo no início, Bad Bunny definiu o tom ao declarar “Qué rico es ser latino”, conduzindo o público a uma imersão simbólica em Porto Rico. Vestido de branco, segurando uma bola de futebol americano e usando o tradicional microfone de fone de ouvido – referência ao cantor porto riquenho Chayanne -, o cantor se apresentou em meio a um cenário tropical, com palmeiras e folhagens.

Palco monumental de Bad Bunny no Super Bowl LX com iluminação temática e identidade porto-riquenha.
(Imagem: Reprodução/ @NFL)

Celebridades como Cardi B, Jessica Alba, Karol G, Young Miko e Pedro Pascal apareceram no espaço, reforçando a ideia de acolhimento e identidade coletiva.

O repertório mesclou sucessos e mensagens sociais. “Yo Perreo Sola” levou ao público global um discurso contra o assédio e em defesa da liberdade feminina, enquanto “NUEVAYoL” trouxe referências à imigração e à diáspora porto-riquenha em Nova York. A participação especial de Ricky Martin em “Lo Que Le Pasó a Hawaii” ampliou o debate sobre colonização, gentrificação e os riscos à identidade cultural de Porto Rico, encerrando um show que transformou 13 minutos em narrativa, memória e representação.

Momento épico do show

Superando as expectativas, Bad Bunny encerrou a apresentação com uma sequência simbólica. No palco, o artista entregou a um menino o troféu do Grammy recebido na última semana, em uma homenagem ao garoto que ele próprio já foi. Diferente do que circulou nas redes sociais, a criança não era o menino detido pelo ICE, mas um ator mirim contratado especialmente para representar esse momento.

Close de Bad Bunny durante o show do intervalo do Super Bowl LX expressando cultura e identidade latina.
(Imagem: Divulgação/ Redes sociais)
Bad Bunny leva o reggaeton ao gramado do Super Bowl LX em performance marcada por memória e ritmo latino.
(Imagem: Reprodução/ @NFL)

Na saída do espetáculo, figurantes hastearam bandeiras de todos os países das Américas no palco, enquanto Benito citava o nome das nações, reforçando a ideia de que a América é formada por muito mais do que apenas os Estados Unidos.

Ao som do sucesso “DtMF”, Bad Bunny finalizou o show mostrando uma bola de futebol americano para a câmera, com a frase “Juntos somos América” escrita nela. No telão, a mensagem foi completada com: “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”.

Sem diluir sua identidade, Bad Bunny levou ao Super Bowl um espetáculo centrado em ritmo, pertencimento e laços coletivos, como família, trabalho e comunidade. A apresentação foi marcada por forte carga simbólica em um país onde grande parte da vida cotidiana é sustentada pela presença latina, ainda que o protagonismo cultural nem sempre reflita essa realidade. Ao ocupar o maior show dos Estados Unidos com sua própria linguagem, o artista reforçou o papel da arte como ferramenta de representação e reconhecimento social.


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Autor

  • Pietra Mesquita

    Jornalista formada pela PUC-Campinas, com experiência em produção de conteúdo, redação, redes sociais e atuação jornalística multiplataforma. Interessada por cinema, entretenimento e cultura digital.

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