Quem acompanha essa coluna semanalmente sabe que um dos seus objetivos é mostrar aos nossos leitores o que há de melhor Em Terras Lusas, seja em gastronomia, hotéis, lugares históricos, mas também falar dos talentos portugueses.
Foi assim, com a coluna sobre o ColorAdd, o código para daltônicos criado pelo designer português Miguel Neiva, e também, sobre o estilista Nuno Velez, um criador incontornável da moda em Lisboa.
A coluna dessa semana traz mais um nome para esse hall de criadores portugueses que merece vivamente a atenção dos nossos leitores.
Trata-se do artista plástico Carlos Ashburner Perdigão (@ashburnerartist), que acabei por conhecer casualmente em um jantar que nos foi oferecido por uma amiga em comum, Carlota. Diga-se de passagem, uma amiga cheia de luz, energia e simpatia, que eu e minha mulher tivemos o prazer de conhecer há poucos anos.
Sobre Ashburner
Nascido na África do Sul, de pai português e mãe inglesa, Ashburner voltou a viver em Portugal ainda na infância. Mas foi no começo da vida adulta que o artista rumou para os Estados Unidos, onde morou por 15 anos e pode exponenciar o seu gosto pela arte com visitas frequentes a museus e galerias de arte.
De regresso a Portugal, o artista instalou-se em Lisboa por algum tempo, mas o destino promoveu o encontro com a designer de interiores Maria Manuel, que mudaria sua vida. O artista muda-se novamente, mas dessa vez para o Porto, cidade onde mora há quase 20 anos. A parceria na vida pessoal estende-se, também, para a vida profissional, fazendo com que o casal assine vários projetos de arte na cidade.
Com talento nato e uma sensibilidade incomum, o artista autodidata confessa que para superar a falta de conhecimento acadêmico começou a reproduzir quadros de pintores famosos, para melhor compreender e perceber as técnicas e nuances desses artistas e de suas obras.
Já no Porto, teve aulas com o Mestre Bessa, um conceituado pintor figurativo e retratista português, com ateliê na Rua do Almada, ativo há mais de 40 anos e uma lenda na cidade.
Se o talento é indiscutível, a alma de artista se revela aos poucos, quando me conta que está zangado com um quadro e deixou de pintá-lo por algum tempo, mas que está ansioso e à espera de fazer as pazes com ele.

Figuras geométricas
Ashburner tem predileção pelas figuras geométricas e dedica grande parte de sua obra a elas. Todos os seus quadros são pintados com cores vibrantes, dando-nos a sensação de estarmos diante de um caleidoscópio de tirar o folego
Se a forma geométrica é o carro-chefe de seu portfólio, o artista vem alargando seus horizontes ao migrar lentamente, mas com passos certeiros, para arte abstrata, técnica pela qual tem muito respeito.
Com encomendas já agendadas para entregar, o artista se orgulha, e com razão, de ter um de seus quadros da fase abstrata colocado ao lado de um quadro do mestre Manuel Cargaleiro, um dos mais importantes pintores portugueses, na casa de uma colecionadora de arte.
Para quem está Em Terras Lusas e quer conhecer mais de perto o trabalho desse casal de artistas, não deixe de visitar o Grande Hotel do Porto, que passou por remodelação assinada pela designer de interiores Maria Manuel Perdigão com quadros de Ashburner.
Se há mistérios que devem ser aplaudidos, o encontro desse casal, ou melhor, da arte com o bom gosto, é um deles. Afinal, pintar é preciso.