O cinema brasileiro vive um daqueles raros e históricos instantes que merecem ser exaltados sem moderação. “O Agente Secreto”, novo filme de Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações ao Oscar 2026 e, com isso, empata com o recorde histórico de “Cidade de Deus”, que em 2004 colocou o Brasil no radar definitivo da Academia.
Não é pouca coisa. É história sendo escrita… de novo.

“O Agente Secreto” concorre nas categorias de:
• Melhor Direção de Elenco
• Melhor Filme Internacional
• Melhor Ator, para Wagner Moura
• Melhor Filme
Sim, Melhor Filme. A principal categoria da maior premiação do cinema mundial.
É um feito que todo brasileiro deve, sim, sentir orgulho e comemorar.
No ano passado, já havíamos vivido outro capítulo inesquecível: “Ainda Estou Aqui” venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional, garantindo a primeira estatueta da história do Brasil na premiação. Um marco que parecia distante por décadas e que, finalmente, se tornou realidade.
Agora, em 2026, o Brasil não apenas retorna, ele se consolida
Vale lembrar que, até então, o recorde brasileiro era de “Cidade de Deus”, que em 2004 recebeu quatro indicações inéditas para o país:
• Direção, para Fernando Meirelles
• Roteiro adaptado, de Bráulio Mantovani
• Montagem, de Daniel Rezende
• Fotografia, de César Charlone
Duas décadas depois, outro filme brasileiro atinge o mesmo patamar. E vai além ao disputar o prêmio máximo da noite.
Nosso baiano blasé
E há ainda um símbolo poderoso nesse momento: Wagner Moura, com sua alegria blasé, seu talento incontestável e aquele “molho” que só um baiano carrega, torna-se o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator. Um feito individual que também é coletivo, porque carrega a força de toda uma cinematografia que nunca deixou de existir, apenas precisou ser vista e respeitada.

O Brasil que mostra o brasileiro
Existe um ponto em comum em todos esses momentos de reconhecimento internacional.
“O Brasil vence quando conta suas próprias histórias. Quando fala da sua realidade com coragem, identidade, complexidade e determinação. Quando não tenta imitar, mas assume quem é. Nossa arte ganha o mundo quando olha para dentro.”
Por isso, esse reconhecimento não pode ser tratado como acaso. Ele é resultado de política cultural, investimento, resistência artística e visão de longo prazo. Incentivar o cinema nacional – seja pelo governo, seja pela iniciativa privada – é investir em memória, em identidade e em futuro.
“A valorização do nosso cinema é o retrato de uma sociedade que se importa, que se orgulha de suas raízes e que, principalmente, decide não esquecer o que passou.”
No total, o Brasil soma cinco indicações ao Oscar 2026. Além de “O Agente Secreto”, Adolpho Veloso, diretor de fotografia de “Sonhos de Trem”, também foi indicado, ampliando ainda mais a presença brasileira na premiação.

Já vencemos
A cerimônia acontece em 15 de março, em Los Angeles, e independentemente do resultado final, uma coisa já é certa: o Brasil venceu.
Venceu porque chegou.
Venceu porque permaneceu.
Venceu porque contou sua história do seu jeito.
Que momento incrível… e que ele seja apenas o começo.