Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Acidente que matou Eduardo Campos em Santos completa 12 anos sem conclusão sobre queda do jato

Inquérito apontou quatro hipóteses para a tragédia em Santos, mas caso foi arquivado sem uma causa definitiva
Foto em destaque de Eduardo Campos sorrindo, em referência ao acidente que matou Eduardo Campos completa 12 anos sem conclusão sobre a queda do jato.

Uma manhã chuvosa e fria mudou a história do país. No dia 13 de agosto de 2014, uma aeronave decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino à cidade de Guarujá, no litoral de São Paulo. No entanto, o jato nunca chegou ao seu destino.

A calmaria de um bairro nobre da cidade vizinha, Santos, foi interrompida por um estrondo. Mais à frente, o Brasil todo pararia para acompanhar o acidente que chocou o País.

No jato, estava o ex-governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Henrique Accioly Campos. Todas as sete pessoas a bordo morreram.

Cena aérea de resgate em local de acidente com destroços e equipes trabalhando ao redor de um jato, cenário após a morte de Eduardo Campos, tema com 12 anos sem conclusão.

Fotos: Agência Brasil

À época, Eduardo estava no auge de sua carreira política e prestes a disputar o cargo mais alto do País: o de Presidente da República. Mais tarde, naquele mesmo ano, os brasileiros foram às urnas duas vezes.

No segundo turno, a disputa entre Dilma Rousseff, que buscava se reeleger, e Aécio Neves foi acirrada. No fim, a petista permaneceu no cargo.

O que aconteceu?

A aeronave Cessna 560XL Citation Excel, prefixo PR-AFA, caiu em um terreno baldio. Ao redor, casas, prédios e comércios estremeceram, dando início a uma corrida contra o tempo para identificar as vítimas e socorrer os moradores locais.

Imediatamente, o Corpo de Bombeiros iniciou os resgates e combateu as chamas que começaram após a colisão. Moradores da região chegaram a ser atingidos por destroços e precisaram de atendimento médico. Cerca de dez pessoas foram levadas ao hospital.

Mais tarde, veio a confirmação oficial das mortes. A bordo estavam o ex-governador Eduardo Campos, o fotógrafo Alexandre Severo e Silva, o assessor Carlos Augusto Leal Filho, o assessor e ex-deputado federal Pedro Valadares Neto, o cinegrafista Marcelo de Oliveira Lyra e os pilotos Geraldo Magela Barbosa da Cunha e Marcos Martins.

Acidente que matou Eduardo Campos completa 12 anos: imagem aérea mostra um jato e o entorno durante operações, sem conclusão sobre a queda

A causa da queda

Após o acidente, foram iniciadas as investigações para responder à dúvida de todos: o que causou a queda do avião?

Laudos, perícias e diferentes frentes de órgãos públicos trabalharam em busca de respostas, mas uma conclusão definitiva não foi alcançada.

Após anos de apuração, a Polícia Federal concluiu o inquérito em 2018. De acordo com o documento, foram apontadas quatro possíveis causas para o acidente:

  • Colisão com um elemento externo;
  • Desorientação espacial dos pilotos;
  • Falha no profundor (equipamento responsável pelo controle do movimento da aeronave no eixo lateral);
  • Falha no compensador de profundor.

Um ano depois, o Ministério Público Federal (MPF) arquivou o caso sem apontar uma causa definitiva para a queda.

Medidas judiciais e inconsistências no laudo

Em novembro de 2023, o advogado Antônio Campos, irmão de Eduardo Campos, solicitou a reabertura do processo. Na época, a Justiça entendeu que não existiam elementos suficientes para retomar o caso.

Contudo, em fevereiro de 2024, Antônio informou o início de uma perícia judicial para realizar uma investigação conclusiva sobre a causa da tragédia. A ação, movida por ele e por sua mãe, Ana Lúcia Arraes, busca uma resposta concreta e levanta a hipótese de sabotagem criminal.

“Provaremos que houve defeito na aeronave, seja ele provocado ou não, o que dará uma reviravolta no caso. A Justiça tarda, mas não falha”, afirmou o advogado em uma publicação.

No processo, Antônio pontuou diferentes inconsistências nas conclusões do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Em nota ao VTV News, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) destacou que a decisão sobre o pedido de tutela — proferida em agosto de 2017 — já ressaltava esses questionamentos.

Na ocasião, a Justiça apontou que os autores da ação questionaram o laudo do Cenipa, que atribuía a responsabilidade do acidente prioritariamente a uma suposta falha humana.

Em contrapartida, a defesa citou o Relatório de Investigação do Controle do Espaço Aéreo (Ricea), que indicaria equívocos nessa conclusão pericial. Os autores alegam, ainda, que tentaram acesso integral a este segundo relatório, mas o pedido foi negado pelo Comando da Aeronáutica.

O TRF explicou ainda que as investigações técnicas não começaram por falta de um especialista qualificado para a realização da perícia. O motivo é a alta complexidade do caso, que exige um perito em engenharia aeronáutica para avaliar diferentes aspectos multidisciplinares.

A análise depende de conhecimentos específicos em três áreas centrais: aerodinâmica voltada ao desempenho da aeronave em voo, testes práticos de operação aérea e investigação técnica de acidentes de aviação.

Até o momento, não localizaram um profissional apto e disponível para assumir a função.

Trajetória de Eduardo Campos

Nascido no Recife (PE) em 10 de agosto de 1965, Eduardo Campos morreu em 13 de agosto de 2014, aos 49 anos. Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1986, era casado com a economista e auditora do Tribunal de Contas de Pernambuco Renata de Andrade Lima.

O casal teve cinco filhos: Maria Eduarda, João Campos, Pedro Campos, José Henrique e Miguel — este último nascido em 28 de janeiro de 2014.

O legado político de Eduardo Campos se estendeu ao seu filho, João Campos, que tinha apenas 20 anos quando o pai faleceu. Menos de sete anos depois da tragédia, o jovem engenheiro seguiu os passos da família e assumiu a Prefeitura do Recife — cargo que o projetou como uma das principais lideranças do PSB.

Neste ano, renunciou o comando do Executivo para disputar o Governo de Pernambuco.

O legado político de Eduardo Campos se estendeu ao seu filho, João Campos, que tinha apenas 20 anos quando o pai faleceu. Menos de sete anos após a tragédia, o jovem engenheiro seguiu os passos da família e assumiu a Prefeitura do Recife em 2021 — cargo que o projetou como uma das principais lideranças do PSB e no qual foi reeleito.

Porém, neste ano, ele renunciou ao cargo para disputar o Governo de Pernambuco, consolidando uma trajetória política profundamente marcada pelas memórias, pelos ensinamentos e pelo capital político construído por Eduardo ao longo da vida.

A data de 13 de agosto carrega um peso emblemático para a família Campos / Arraes: foi nesse mesmo dia que faleceram o avô de Eduardo e o seu pai — o bisavô e o pai de João —, em um intervalo de apenas nove anos.

Carreira política

Neto e ex-chefe de gabinete do ex-governador pernambucano Miguel Arraes, Campos iniciou a carreira política nos anos 1980 ao lado do avô. Filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), exerceu mandatos de deputado estadual, atuou como secretário de Estado e chefiou o Ministério da Ciência e Tecnologia no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2006, foi eleito governador de Pernambuco, assumindo o cargo em 2007 e garantindo a reeleição em 2010.

Entre os projetos de lei de sua autoria, destacam-se a criação de um diferencial no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para cidades com patrimônio tombado pelo Iphan, o uso do FGTS para custeio de ensino superior de trabalhadores e dependentes, a tipificação do sequestro-relâmpago no Código Penal e a Lei de Responsabilidade Social, que prevê a publicação do mapa de exclusão social pelo Executivo.

Em outubro de 2024, Eduardo Campos teve o nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, recebendo o título de Herói Nacional.


Continua após a publicidade

Autor

  • Beatriz Santos

    Jornalista formada pela Universidade Santa Cecília em 2024. Atua com produção de conteúdo, redação e assessoria de imprensa.

VEJA TAMBÉM

Neymar e atletas do Santos conversam durante treino ao ar livre, com jogadores ao fundo, em preparação para jogo pela Sul-Americana.

Santos relaciona Neymar e não deve poupar titulares contra o Macará pela Sul-Americana

Jogador do Atlético-MG tenta dominar a bola durante partida contra o Bragantino na Sul-Americana, em lance com Cleiton falhando e confronto em campo.

Cleiton falha e Atlético-MG vence o Bragantino na Sul-Americana

Jogadores do Palmeiras em campo durante o jogo de ida das oitavas da Libertadores contra o Cerro, com Carlos Miguel em ação e duelo com o adversário.

Carlos Miguel falha e Palmeiras empata com o Cerro pelo jogo de ida das oitavas da Libertadores

Quina 7090 pode pagar R$ 3,8 milhões hoje; veja os números sorteados

Quina 7090 pode pagar R$ 3,8 milhões hoje; veja os números sorteados

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.