Um levantamento da Global Forest Watch apontou que o Brasil registrou uma redução de 42% na perda de floresta tropical em 2025. Ao todo, foram 1,6 milhão de hectares perdidos, frente a um cenário global de queda de 36% em relação a 2024. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29) pela organização ambiental sem fins lucrativos World Resources Institute (WRI).
O levantamento mostra maior impacto nas derrubadas sem uso de fogo. As perdas não relacionadas a incêndios são resultado do desmatamento, corte raso e morte natural da cobertura arbórea.
De acordo com Elizabeth Goldman, codiretora da Global Forest Watch, esse é o nível mais baixo já atingido pelo Brasil desde o início dos registros, em 2001.
Estados com menos perdas
O estudo aponta que Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima concentram 40% da redução registrada no país.
O Maranhão foi o único estado que apresentou crescimento da perda arbórea.
Os dados são produzidos anualmente pelo Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (Glad), da Universidade de Maryland, e consideram apenas a vegetação primária — áreas maduras com cobertura original.

Métodos diferentes, semelhança numérica
Segundo pesquisadores da WRI, o modelo utilizado no levantamento difere do sistema brasileiro, o Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite), que monitora exclusivamente áreas desmatadas. Já a Global Forest Watch inclui outros distúrbios, como corte seletivo e morte natural.
Para Goldman, apesar das diferenças nos métodos de coleta, a redução está associada ao declínio no desmatamento dos principais biomas, apontado pelo Prodes entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025.
Na visão de Mirela Sandrini, diretora-executiva da WRI Brasil, os resultados são fruto de uma força-tarefa articulada pelo governo, com participação da sociedade civil, academia, comunidades locais e setor privado.
De acordo com Mirela, as seguintes iniciativas estão alinhadas à expectativa global para os próximos dez anos:
- Intensificação da produção em áreas já desmatadas
- Criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês)
- Ações para remuneração por serviços ambientais
- Incentivos fiscais a quem preserva
A diretora-executiva ainda afirmou que “considerando que o Brasil está no centro das soluções de grande escala para alimentos, energia e segurança climática, isso é muito importante”.
Perdas globais
O resultado brasileiro impacta positivamente o cenário global, que registrou redução de 36% na perda de florestas em comparação a 2024. Em 2025, foram perdidos 4,3 milhões de hectares, contra 6,7 milhões no ano anterior.
As perdas de vegetação não relacionadas a incêndios foram as mais baixas da última década, com queda de 23%. Ainda assim, os casos ligados a queimadas permanecem entre os três maiores da série histórica.
Em nível global, os incêndios foram os principais responsáveis pela perda arbórea no último ano. Nos últimos três anos, causaram o dobro de perdas em comparação aos 20 anos anteriores.

Participação do Brasil
O Brasil concentra mais de 37% da perda global de cobertura arbórea em 2025. Em área total, lidera o ranking, seguido pela Bolívia, com 620 mil hectares, e pela República Democrática do Congo, com quase 600 mil hectares.
Em termos proporcionais ao tamanho da floresta, Bolívia e Madagascar aparecem na liderança.
De acordo com a codiretora, “a expansão agrícola foi a principal causa da perda de cobertura arbórea nos trópicos, devido à produção de commodities e à mudança nos cultivos para subsistência dos mercados locais”.
Ela também avalia que a queda numérica registrada nos trópicos é positiva, mas insuficiente para manter o compromisso firmado entre 140 países de reduzir e reverter a perda florestal até 2030. Segundo ela, os dados atuais apontam que o planeta está 70% acima do necessário.
“Alcançar essa meta nos próximos anos não será fácil porque as florestas estão mais vulneráveis às mudanças climáticas, e a humanidade continua crescendo e aumentando a sua demanda por combustíveis e alimentos”, concluiu Elizabeth Goldman.