A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) publicaram, na última sexta-feira (20), uma carta pedindo cautela quanto à repercussão da polilaminina. A molécula, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ganhou destaque nas redes sociais por auxiliar na recuperação do sistema nervoso em casos de paralisias causadas por lesões na medula.
Diante da visibilidade, lideranças científicas reforçam que a substância ainda está em fase experimental. Em editorial no Jornal da Ciência, Helena Bonciani Nader (ABC) e Francilene Procópio Garcia (SBPC) afirmam que o caso extrapola a dimensão científica, envolvendo questões institucionais, regulatórias e de políticas de inovação no país.
Trajetória da Pesquisa
À frente do estudo na UFRJ desde 1998, a cientista Tatiana Sampaio insere a molécula no campo da neuroregeneração. Para as autoras da carta, o episódio evidencia tanto a competência da ciência pública brasileira quanto as fragilidades estruturais do sistema nacional de inovação, especialmente em áreas como propriedade intelectual e validação clínica.
Em entrevista ao programa Roda Viva, Sampaio ponderou que “descobrir a cura” é um termo precipitado:
“Temos uma substância que tem se mostrado muito promissora, com resultados inéditos. Tudo indica que estamos no caminho certo, mas ainda é uma pesquisa em andamento”, afirmou a pesquisadora.