A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) deu início à fase 1 dos estudos clínicos de uma terapia experimental para lesão na medula espinhal, após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A pesquisa é coordenada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, que há cerca de 25 anos se dedica à regeneração do sistema nervoso central.
A bióloga coordena pesquisas voltadas à regeneração do sistema nervoso, com foco em novas abordagens para tratar lesões na medula espinhal, e tem chamado atenção nos últimos dias pelos seus notórios resultados. Tatiana conta com 46 artigos segundo o ResearchGate, um dos principais acervos de pesquisas do mundo, e com mais de mil citações em artigos de terceiros.
Docente do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, ela atua na área de biologia celular e lidera o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular. Sua linha de investigação concentra-se na chamada matriz extracelular, estrutura formada por proteínas que circundam as células e exercem papel organizador e estrutural nos tecidos do corpo.
Em outubro do ano passado, a pesquisadora participou do programa do SBT, The Noite. Confira a entrevista:
Matriz extracelular e lamininas
Entre as proteínas estudadas pelo grupo estão as lamininas, componentes essenciais para a adesão celular e para o desenvolvimento do sistema nervoso.
Essas moléculas contribuem para a fixação das células, orientam o crescimento celular e participam da comunicação entre estruturas nervosas.
A partir desse eixo empírico de pesquisa, a equipe descreveu uma forma organizada dessas proteínas, denominada polilaminina. Trata-se de uma versão polimerizada da laminina, estruturada de modo a formar uma configuração mais estável.
Resultados experimentais
Em estudos conduzidos em modelos experimentais, segundo as pesquisas, a aplicação da polilaminina demonstrou:
- Estímulo ao crescimento de neurônios após lesão
- Redução de processos inflamatórios no sistema nervoso
- Recuperação parcial de funções motoras em casos de lesão medular