O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), novo relator do caso.
Vorcaro foi levado para a Superintendência da PF na capital paulista. Ele já havia sido preso em novembro do ano passado, quando tentava embarcar em um avião particular rumo à Europa, no aeroporto de Guarulhos, mas foi solto dez dias depois e passou a usar tornozeleira eletrônica.
Ao todo, a operação desta quarta-feira cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. As investigações contam com apoio do Banco Central.
Por que Vorcaro foi preso
De acordo com a Polícia Federal, a nova fase da operação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, crimes que teriam sido praticados por organização criminosa.
O foco principal da investigação é um suposto esquema bilionário envolvendo a venda de títulos de crédito falsos ligados ao Banco Master. Segundo os investigadores, há indícios de que as operações sob apuração não foram pontuais, mas parte de uma estrutura planejada ao longo dos anos.
A PF afirma que o nome “Compliance Zero” faz referência à ausência de mecanismos eficazes de controle interno nas instituições envolvidas, o que teria facilitado práticas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Quem é Daniel Vorcaro
Natural de Belo Horizonte, Daniel Vorcaro, 42 anos, é filho do corretor de imóveis Henrique Vorcaro. Ele se formou em Economia pelo Ibmec e ganhou projeção no mercado financeiro a partir de 2017, quando adquiriu participação no então Banco Máxima, instituição fundada nos anos 1970 e voltada ao crédito imobiliário.
Em 2021, o banco passou a operar sob o nome Banco Master, ampliando sua atuação no mercado financeiro.
Vorcaro era aguardado nesta quarta-feira para depor na CPI do Crime Organizado, em Brasília, mas já havia sinalizado que compareceria apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Na terça-feira (3), o ministro André Mendonça decidiu que a presença dele na CPI seria facultativa.